Prefeituras pedem autorização para integrar transporte coletivo na Grande Florianópolis

O novo sistema de transporte coletivo da Grande Florianópolis, que integrará nove municípios da região, depende da conclusão de duas etapas primordiais para virar realidade.

A primeira delas pode ter um desfecho rápido. Trata-se do encaminhamento de projetos de lei do executivo para as câmaras de vereadores permitindo a transferência da licitação do transporte coletivo para o âmbito estadual.

Os vereadores precisam autorizar o Executivo a firmar convênios com a Suderf (Superintendência de Desenvolvimento da Região Metropolitana), que é o órgão que vai controlar o sistema de transporte integrado.

Integração de ônibus na região metropolitana prevê construção de mais dois terminais – Anderson Coelho/ND

Por enquanto, somente o prefeito Gean Loureiro, de Florianópolis, encaminhou a medida em regime de urgência. O pedido feito pelo governador Carlos Moisés, em reunião com os representantes das cidades envolvidas, na segunda-feira (27), é que todos encaminhem os projetos em até 15 dias.

Como Florianópolis é a única cidade onde o sistema de transporte coletivo municipal funciona com licitação, ela deve se integrar mais tarde ao novo sistema. E não será como ponto central. A prefeitura ainda estuda como será feita essa integração, já que o consórcio atual tem contrato de 20 anos para operar o sistema.

Já a outra etapa é mais complicada e envolve a construção de dois terminais de integração. O terminal Sul, em Palhoça, e o Norte, em Biguaçu. Eles são essenciais para que as linhas alimentadoras e interterminais operem, com ônibus circulares nos bairros e entre os municípios.

O que não está definido, entretanto, é quem vai custear a construção dessas estruturas, que podem chegar a R$ 20 milhões cada, conforme estimativas do Observatório da Mobilidade Urbana da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina).

“Esse é um dos entraves que encontramos no projeto, porque a fonte desses recursos não havia sido discutida no governo anterior”, diz o secretário adjunto da Casa Civil, Mateus Hofmann. “Estamos analisando se é o Estado quem vai custear, se vamos pleitear recursos federais, algum financiamento ou até mesmo se ficará a cargo da empresa/consórcio que vencer a licitação para operar o sistema, com contrapartida nas tarifas”, afirma.

Integração transporte coletivo Grande Florianópolis – Arte/ND

Outras pendências

Outro ponto que está sendo debatido, com assessoria técnica da agência de cooperação alemã GIZ, é o uso de veículos movidos a tecnologias limpas. “A ideia é incluí-los gradualmente na frota, mas não queremos onerar a tarifa. Ainda estamos calculando o impacto financeiro disso”, explica o professor Bernardo Meyer, coordenador do Observatório da Mobilidade.

A Casa Civil, a quem a Suderf está vinculada, também está avaliando se a operação, bilhetagem e garagem dos veículos será operada por uma ou várias empresas. Os técnicos estudam ainda os detalhes da operação: quais serão as linhas de ônibus, onde farão integração, se a cobrança das tarifas será feita por cartões e se o consórcio será feito em lotes ou não. Com esse levantamento, governo e municípios poderão decidir o melhor modelo a ser adotado.

Municípios ganharão agilidade com a adoção de linhas interbairros e troncais – Anderson Coelho/ND

Por fim, a própria Suderf, que controlará a rede integrada de transportes, está com vários cargos em aberto. De acordo com o secretário, o governo do Estado trata essa questão de forma bastante técnica e irá preencher as vagas levando em conta a capacitação técnica, sem nomeações de cunho político.

Ainda assim, a expectativa é de que a licitação saia ainda este ano.

Transporte Integrado Metropolitano

O novo sistema está em estudo desde 2016 e envolve governo do Estado e prefeitura e o Observatório da Mobilidade Urbana da UFSC, que acompanha o projeto desde o início.

A Rede Integrada de Transporte Coletivo Metropolitano prevê novas linhas de ônibus circulares em Biguaçu, que conectam bairros como Estiva, Sorocaba/ Timbé, Saudades, Três Riachos, Vendaval, Hospital, Rússia, Mor­ro do Ivo, Morro do Bela Vista, Morro do Boa Vista, Boa Vista, Saveiro, Fundos, Circular Fundos, Praia João Rosa, Jardim Janaína Circular e Bom Viver ao Centro de Biguaçu. Além disso, haverá opções diretas para Barreiros e Kobrasol, em São José, Governador Celso Ramos, Antônio Carlos e Florianópolis.

De acordo com o professor Meyer, um sistema de integração mais longo permitirá chegar a mais lugares (maior capilaridade), atendendo maior número de comunidades e com a possibilidade de praticar tarifas mais baratas, por ser mais eficiente.

“Hoje, o sistema é fragmentado e 70% das pessoas da Grande Florianópolis usam o transporte intermunicipal. Para ir de Palhoça a Biguaçu, ou de São José a São Pedro de Alcântara, por exemplo, é preciso pegar o intermunicipal, desembarcar em Florianópolis e fazer a troca de coletivo”, diz Meyer. “Com o novo sistema isso não será mais necessário”.

Com integração, usuários não precisarão entrar na Ilha para chegar a outros municípios da região – Anderson Coelho/ND

Mais linhas e passagens mais baratas

Com a adoção do novo sistema, as nove cidades que compõem a rede metropolitana (Antônio Carlos, Biguaçu, São José, Palhoça, Águas Mornas, Governador Celso Ramos, São Pedro de Alcântara, Santo Amaro da Imperatriz e Florianópolis) teriam mais horários e maior cobertura do transporte coletivo urbano.

No projeto, estão previstas melhorias nas paradas de ônibus, vias públicas e acessos para pedestres e ciclistas. A integração também deve permitir maior racionalização nas linhas, além de reduzir o número de coletivos que fazem conexões em Florianópolis.

“Hoje, a Capital recebe um ônibus atrás do outro, vindos de Biguaçu, São José e Palhoça, principalmente. Alguns quase vazios. Se pudermos utilizar BRTs para os terminais do continente, será possível reduzir o número de veículos”, afirma o secretário municipal de Mobilidade da Capital, Michel Mittmann.

Para Mittmann, a adoção de terminais na área continental absorvendo linhas expressas e paradoras de forma troncalizada (linha de ônibus interterminais) vai trazer mais eficiência a todo o sistema, o que pode implicar em redução no preço das passagens.

“A adoção desse modelo justificaria a criação de corredores exclusivos de ônibus”, afirma Mittmann. É o que está sendo discutido para o uso da terceira faixa da Via Expressa, na parte continental de Florianópolis.

“As empresas de ônibus da área metropolitana que operam as linhas que atualmente transitam pela Avenida Ivo Silveira já sinalizaram um interesse em deslocar o tráfego para a Via Expressa”, diz o secretário. A mudança poderia dar mais velocidade ao transporte coletivo, reduzindo o tempo dos percursos.

Benefícios do novo sistema de ônibus

  • Veículos novos, com acessibilidade universal, confortáveis e modernos
  • Redução das tarifas médias
  • Integração física e tarifária em toda a região
  • Cartão único de transporte
  • Deslocamentos diretos na região continental sem necessidade de entrar em Florianópolis
  • Sistema de informação em tempo real
  • Participação da sociedade no controle de qualidade do serviço.

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