Prêmio Flores em Vida homenageia sambistas da Grande Florianópolis

Atualizado

O samba tradicional da Grande Florianópolis será homenageado – Flávio Tin/ND

Alcione pede há mais de 40 anos para que o samba não morra. Com ela fazem coro quem não é ruim da cabeça nem doente do pé. Para manter o ritmo vivo e alegre, como ele só, sábado (5) personalidades que constroem a história do samba na Grande Florianópolis serão homenageadas.

Flores em Vida é o nome do prêmio que será entregue pela Assamgf (Associação do Samba da Grande Florianópolis) a nove personalidades que contribuíram nas últimas décadas com o enriquecimento da cultura catarinense. Em sua primeira edição, a associação pretende tornar o prêmio anual.

Todos os homenageados ainda pisam na avenida e pretendem continuar participando da tradição enquanto as pernas puderem levar o corpo para o desfile ou para o aquecimento na quadra.

São compositores, instrumentistas, intérpretes, passistas, produtores e empresários que dedicam suas vidas ao samba. “Estamos reconhecendo o trabalho dessas pessoas que enfrentaram muitas dificuldades para transformar o samba em tradição aqui na Grande Florianópolis. Queremos que eles saibam que são importantes enquanto estão entre nós”, afirma Dudu Brasil, presidente da Assamgf.

Autoexplicativo, o título do prêmio entrega a importância de se reconhecer os baluartes da cultura antes da grande hora. A homenagem demonstra a esses homens e mulheres o quanto são valorosos para o segmento e apresenta aos recém-chegados quem pode inspirá-los na vida do samba.

Sambistas da Grande Florianópolis serão homenageados – Foto: Flávio Tin/ND

Difusora do samba

A Assemgf foi criada há menos de três anos com o objetivo de unir todos os envolvidos com o samba na Grande Florianópolis. Com cerca de 50 associados, a associação promove palestras sobre gestão de carreira e direito autoral, além de eventos de promoção do samba.

Como um estímulo a novos talentos, a Assemgf pretende lançar um festival de sambas inéditos ainda sem data definida.

“A associação é uma difusora da arte que é o samba. Com esse festival queremos estimular o surgimento de talentos que estão por aí ainda desconhecidos”, disse Ivan Carlos Schmidt Filho, sócio-fundador da Assemgf.

Prêmio Flores em Vida

  • Local: Restaurante Praça 11, Praia Comprida, São José
  • Dia e horário: Sábado (5), 12h
  • Atrações: Novos Bambas, Amigos do Praça 11, Roda de Samba Assamgf
  • Entrada: R$ 10,00 (Estacionamento no local)

Homenageados

  • Seu Lidinho
  • Carvalinho da Ilha
  • Maria Helena
  • Seu Catonho
  • Vicente Marinheiro
  • Associação da Velha Guarda das Escolas de Samba
  • Josué Costa
  • Samba 7
  • Ângela Bastos

Vicente Marinheiro e o samba de raiz

Vicente Marinheiro é um dos sambistas homenageados – Foto: Flávio Tin

O samba veio do berço, lá de Vila Isabel, no Rio de Janeiro. Para Florianópolis ele veio de navio da Marinha em 1987 e em pouco tempo já animava as rodas de samba da Ilha. Aos 73 anos, Vicente Marinheiro começou sua história profissional na Unidos da Ponte, escola de samba de São João de Meriti, onde foi compositor.

Em Florianópolis participou de festivais no TAC (Teatro Álvaro de Carvalho), de concursos de marchinhas e, claro, de inúmeros desfiles. Fez sambas-enredo para a Consulado, Copa Lord, Coloninha e Protegidos da Princesa.

Com tanto tempo de tamborim, Vicente ainda não viu seu grande sonho de sambista se concretizar. Para ele, o samba vai ganhar ainda mais adeptos quando as agremiações adotarem o samba de quadra.

“Esse samba [de quadra] faz com que os compositores tenham vínculo afetivo com a escola. E isso aproxima o público, que sente o amor pela escola representado na música”, explica Marinheiro.

Como legado, Vicente gostaria que “a juventude olhasse com carinho para o samba de raiz, ele é o mais verdadeiro”.

O refrão que emociona Vicente Marinheiro

“É meu amor, é meu amor

É vida minha

Faz o peito pulsar

Coração chorar

É Coloninha”

Josué Costa será homenageado com o Prêmio Flores em Vida – Foto: Flávio Tin/ND

Josué Costa e a marcha-rancho

Nascido no Rio Tavares, Josué Costa cedo estava envolvido com a música. Começou tocando contrabaixo na Jovem Guarda em festas de formatura. Anos depois aprendeu a toca cavaquinho e daí para as composições de marchas-rancho, sambas-enredos e marchinhas foi um ziriguidum.

Aos 74 anos, Josué acumula 37 troféus por suas músicas. Em parceira com Adriano e Carlão fez sambas para a Consulado, Protegidos da Princesa e Grande Rio.

“É carnaval, é fevereiro. Vou trocar o bisturi pelo pandeiro”, cantarola para lembrar que é um dos fundadores e o autor do primeiro samba do bloco SOS.

Costa também recorda que na década de 1980 foi convidado pela escola Mocidade Independente de Padre Miguel (Rio de Janeiro) para ensinar, junto com Sebastião Goes, as técnicas de mutação utilizadas por eles durante um desfile em Florianópolis. “Fizemos um jato folião que se movimentava e isso impressionou”, conta.

O prêmio deste sábado alegra Josué pelo reconhecimento. Como legado de sua vida no samba, ele ainda espera poder ver o samba chegando às salas de aula. “Acredito ser importante as crianças conhecerem a nossa tradição de samba. Elas poderiam receber um livro com a história e um CD com as músicas”, sugere.

O refrão que emociona Josué Costa

“Linda princesa, tua beleza me fascina

Humilde nasceste lá no morro

onde hoje a alegria predomina

antes bandeira e tamborim

agora escola e tradição”

Música