‘Preocupação do cidadão não é prefeito ser de esquerda ou de direita’, diz Covas

O prefeito Bruno Covas (PSDB) se vê com dois anos para deixar uma marca própria e disputar a reeleição, em 2020. Após a reforma do secretariado que afastou os últimos indicados de seu antecessor, João Doria (PSDB), ele ainda enfrenta uma demanda que não esperava: restaurar pontes e viadutos, após um desabamento na Marginal do Pinheiros, em novembro, e uma interdição na Marginal do Tietê nesta semana. A missão deve sugar recursos, que poderiam viabilizar outros grandes projetos.

Por isso, a aposta tem sido em ações locais, de bairro em bairro, além de falar diretamente com a população pelas redes sociais. A expectativa é de que o ato de “prefeitar”, como diz ele próprio, garanta sua permanência no Edifício Matarazzo. “Principal preocupação do cidadão não é prefeito ser de esquerda ou direita.” Covas recebeu o jornal O Estado de S. Paulo por ocasião do aniversário da cidade hoje. Leia trechos da entrevista:

A Prefeitura ainda não tem um custo estimado para as reformas nos viadutos. Haverá dinheiro?

Até agora, a questão orçamentária não está restringindo (ações). Contingenciamos R$ 6 bilhões, 10% do orçamento, então temos recurso. E tenho certeza que o governador Doria ou presidente Jair Bolsonaro não vão negar ajuda, se for o caso. Mas a questão agora é muito mais a contratação e a realização dos laudos (técnicos sobre as condições dos viadutos) do que a questão financeira.

Esse contingenciamento inclui obras em andamento?

Inclui praticamente todas as obras que este ano precisavam de novo empenho. Tudo é contingenciado para analisarmos caso a caso o que vamos liberar e o que deve ser parado.

E o que deve ser parado?

Parada, nenhuma (obra). Todas estão dentro de contratos, com recurso já garantido. Eventualmente, tem uma segunda fase de alguma obra que não vai começar, dependendo do contingenciamento.

O senhor citou o presidente. Qual é sua expectativa em relação ao governo federal?

A expectativa é de ter a mesma relação que eu tinha com o governo (Michel) Temer. Não sou do partido do Temer, não o apoiei. E ainda sim tivemos relação institucional. Com o governo Bolsonaro, é exatamente isso: relação institucional da principal cidade do País com o governo federal. É necessária. E que as pessoas esperam não ser contaminada com a relação político-partidária.

Doria buscou nomes do governo Temer. O senhor fez escolhas mais variadas, incluindo nomes como Alê Youssef (novo secretário de Cultura). Como avalia as escolhas do governador?

Tanto ele quanto eu fomos buscar nomes de gente com capacidade, seriedade. Não adianta ser do partido A, ter feito parte do governo não sei o quê. São pessoas comprometidas com programa de governo. Sobre o Alê Youssef: se tiver qualquer coisa para levantar do ponto de vista da competência, interlocução com setor artístico, eu discuto. Mas discutir porque ele foi filiado ao PT, a Soninha (Francine) também foi e era secretária do Doria (da pasta de Assistência Social).

Sua reforma trouxe nomes para compor sua marca. Qual é ela?

Os nomes novos) são da minha confiança. Temos um governo com um plano de metas. Claro que devemos ter metas, que agora serão rediscutidas com a Câmara. Mas a preocupação principaldo cidadão – muito mais do que se o prefeito é de esquerda ou de direita – é se o prefeito ‘prefeita’. A população está preocupada se a visão de mundo que o prefeito tem é mais para liberalismo ou mais para socialismo? Ela está preocupada com o seguinte: tem remédio no posto de saúde? Vai diminuir a fila em creche? Vão diminuir os buracos na rua?

Mas ‘prefeitar’ tem entraves. Por exemplo: a licitação de ônibus (atrasada há cinco anos e suspensa pela Justiça esta semana) e da varrição (que também teve problemas judiciais) não saem. Como resolver isso?

Se fosse fácil… (risos). Quando você tem ação na Justiça, não é algo que está na nossa mão. O que está (na nossa mão) é fazer a defesa, buscar cassar a liminar. Em um sistema (de ônibus) que custa R$ 8 bilhões por ano, é claro que você tem inúmeros interesses econômicos por trás. Da mesma forma, a varrição, o lixo. Você tem de saber que tem interesses com os quais você tem de estar preparado para jogar juridicamente.

Há greve de servidores marcada para fevereiro contra a reforma da previdência municipal (aprovada em dezembro, a mudança prevê aumento da alíquota paga pelos servidores). O que a cidade deve esperar?

Primeiro reconhecer o direito legítimo à greve. Se o pleito é revogar a reforma da previdência, essa greve vai durar meses, porque não vamos revogar. A reforma é uma conquista da cidade. O que fazemos é nos preparar para, se for o caso, tomar medidas judiciais para cortar o ponto de quem faltar; se for o caso, ter de repor com novas contratações. E a disposição para o diálogo. Mas não vamos propor revogação da reforma.

E as pessoas perguntam se o senhor será candidato? O senhor será candidato?

(Risos). Perguntam tudo o que você pode imaginar. Dizer que não quero ser prefeito, não quero ser governador, não quero ser presidente, seria leviano. O que vai acontecer em 2020 é consequência do que vai acontecer em 2019. O importante é chegar no ano que vem tendo coisa para mostrar. E aí discutimos o que fazer.

E 2022? Ontem Bolsonaro apontou Doria como candidato à presidência em 2022…

Interrompendo a pergunta) É o meu candidato.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

(Bruno Ribeiro e Paloma Cotes, São Paulo)

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