Presidência da Capes pode ter sido conivente com desvio de bolsas na UFSC

As investigações da Polícia Federal na Operação Ouvidos Moucos poderão chegar a Brasília se confirmadas as suspeitas de que a Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) teria sido conivente com as suspeitas de fraudes no fornecimento de bolsas nos programas EaD na UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina).

Segundo o inquérito conduzido pela delegada Erika Mialik Marena, a Fundação, que é vinculada ao Ministério da Educação, “não facilitou o fornecimento de dados necessários ao aprofundamento da investigação, com indícios de que seu presidente e o atual Reitor da UFSC tentaram uma política de contenção de danos, ao menos é o que se depreende dos indícios ora existentes”, conforme relata na representação que pediu a prisão de sete pessoas, incluindo o reitor Luiz Carlos Cancellier.

Corregedor envia ofício ao presidente da Capes questionando comunicação de visita técnica aos investigados - Reprodução
Corregedor envia ofício ao presidente da Capes questionando comunicação de visita técnica aos investigados – Reprodução

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Em denúncia apresentada pelo corregedor-geral da UFSC, Rodolfo Híckel do Prado, ele conta que em 4 de maio deste ano foi a Brasília para relatar pessoalmente ao presidente da Capes, Abílio Baeta Neves, sobre as suspeitas de fraudes no fornecimento de bolsas no programa UAB (Universidade Aberta do Brasil), e que estranhou que logo no seu retorno a reitoria pediu cópias do procedimento.

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Em depoimento à PF, Prado ainda diz que a própria Capes também alertou os investigados via e-mail sobre visita técnica em caráter extraordinário realizada entre os dias 12 e 14 de junho: “Da Capes deflagrar uma investigação paralela e, até em conjunto com esta Corregedoria entende-se como uma via normal, mas informar supostos investigados e tentar buscar informações de forma pouco usual para o assunto, nos causa, no mínimo, estranheza”, relatou o procurador em ofício encaminhado ao presidente da Capes no mesmo dia 12 de junho.

O inquérito policial ainda destaca que um dia após o reitor Luiz Cancellier ter acesso ao processo da Corregedoria ele viaja a Brasília onde o presidente Abílio Neves anuncia nova liberação de R$ 1,7 milhão para o programa EaD investigado. “Momento em que o presidente da Capes, Abilio Baeta Neves, também já sabia da investigação e da dimensão dos desvios, pois recebeu em reunião o próprio Corregedor-Geral da UFSC no dia 04.05.2017”, enfatizou a delegada.

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