Presidenciáveis divergem sobre saída para a ciência, mas sem soluções

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Pesquisadores e divulgadores de ciência submeteram algumas das principais candidaturas à Presidência da República a uma bateria de sabatinas das 10h às 19h30 deste domingo (29), em São Paulo.

Candidatos e seus representantes se dividiram em dois grandes campos. Os de matriz mais liberal, de um lado, defenderam que, no atual momento de crise econômica, seria difícil recuperar investimentos públicos na ciência brasileira.

Outros, mais ligados à esquerda, prometeram apoio estratégico à pesquisa nacional -mas sem detalhar como tornar esse apoio algo sustentável.

O evento foi uma parceria entre o projeto Conhecer, criado para fomentar a interação entre divulgadores de ciência, e o Science Vlogs Brasil, órgão que congrega canais dedicados a temas científicos no YouTube, hoje com um total de 5 milhões de inscritos.

A maioria dos candidatos, alegando problemas de agenda, enviou representantes de campanha. Entre as candidaturas que não participaram de modo algum estiveram as de Jair Bolsonaro (PSL), Geraldo Alckmin (PSDB) e Manuela D’Ávila (PCdoB).

Os candidatos Ciro Gomes, do PDT, e Paulo Rabello, do PSC, compareceram às sabatinas.

Preocupados com o avanço do criacionismo e do ensino religioso confessional nas escolas públicas, os sabatinadores questionaram João Capobianco, da campanha de Marina Silva (Rede), sobre as crenças evangélicas da pré-candidata.

“Esse suposto apoio da Marina ao criacionismo é ‘fake news’. Ela acredita numa escola pública laica”, declarou Capobianco.

“É burrice que pesquisadores estejam em laboratórios de alto nível no Brasil sem conseguir pagar a conta de luz. Temos compromisso de tentar mudar isso -com responsabilidade do ponto de vista econômico”, afirmou.

O ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), representou a candidatura de Lula e defendeu que o governo facilitasse a aproximação entre a comunidade científica e as Forças Armadas em projetos de defesa.

Quando questionado sobre o papel do segundo governo Dilma nos cortes ao orçamento de ciência no Brasil, ensaiou uma crítica ao próprio partido. “Isso foi resultado de uma decisão política equivocada. Nada contra ajuste, quando necessário, mas a dose foi de veneno.”

José Márcio Camargo, representante da candidatura de Henrique Meirelles (MDB), defendeu a necessidade do teto de gastos do orçamento federal, argumentando que ela força a sociedade a discutir prioridades. “É preciso discutir se o financiamento da ciência é mais importante que o de creches.”

Ciro Gomes, o último a ser sabatinado, declarou que sua prioridade inicial será a mobilização para derrubar o teto de gastos do orçamento federal. “Havendo êxito na revogação, vamos criar um plano nacional de ciência e tecnologia que terá, como objetivo, subir para 2% a proporção do PIB investida na área.”

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