Presidente da Acaert destaca importância da imprensa e do Judiciário

Atualizado

O presidente da Acaert (Associação Catarinense de Emissoras de Rádio e Televisão), Marcello Corrêa Petrelli, discursou na abertura do evento Momento Brasil, cujo convidado desta edição é foi ministro da Justiça Sérgio Moro. O evento iniciou na manhã desta segunda-feira (30), no Tribunal de Justiça de Santa Catarina.

Presidente da Acaert, Marcello Petrelli, discursa na abertura do evento Momento Brasil – Anderson Coelho/ND

na fala, Petrelli discursou sobre a importância do TJSC (Tribunal de Justiça em Santa Catarina) na manutenção dos direitos fundamentais e desenvolvimento. Além disso, lembrou da importância da ética para os avanços na defesa e convergência dos poderes. “Não há direito sem deveres e não há deveres sem direito”, afirmou.

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O presidente da Acaert defendeu também a imprensa catarinense para o crescimento do Estado e fez um paralelo sobre o trabalho do jornalismo e magistrados. Ambas as profissões, na avaliação dele, não devem se calar e devem mostrar a verdade.

“Nós reforçamos a missão de seguir vigilantes e combativos. Vamos continuar criticando e cobrando quando for necessário”, destacou.

Moro é a quinta autoridade a participar do Momento Brasil. Antes do ministro, a iniciativa já havia recebido o presidente Jair Bolsonaro, o vice Hamilton Mourão e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia.

Homenagem

Ao final, o presidente da Acaert fez uma homenagem ao ex-magistrado e entregou ao ministro uma placa como forma de reconhecimento e agradecimento ao legado e trajetória para o país.

Presidente da Acaert destaca importância da imprensa e do Judiciário – Anderson Coelho/ND

Confira o discurso na íntegra:

Senhoras e senhores,

Desde o início deste grande movimento que batizamos de “Momento Brasil” venho defendendo em meus discursos alguns valores que considero fundamentais para a sociedade e que estão alinhados com esse novo brasil que está em construção. Principalmente após as mudanças que o país viveu nas eleições e na formação deste novo governo, cujo maior expoente, nos honra hoje com sua presença.

Entre esses valores, quero destacar dois deles com maior ênfase, justamente porque considero que são qualidades que também definem o nosso convidado. Falo de ética e de cidadania.

Ética e cidadania são palavras adaptadas ao português a partir do latim e do grego.

Ética vem da palavra grega ethos, que quer dizer costume ou modo de ser. Já cidadania é palavra derivada do latim civitas, que quer dizer cidade ou, em sua definição mais ampla, pode ser relacionada a direitos sociais, direitos políticos e direitos civis.

Assim, o significado de ética e cidadania gira em torno do agir bem enquanto cidadão e enquanto pessoa. Esses são conceitos que devem estar na base de qualquer sociedade.

Não é por acaso que nós da Acaert escolhemos a sede do poder judiciário para realizar este evento.  Não há lugar mais oportuno para falar em direitos essenciais do que a sede do Tribunal de Justiça, sem nunca é claro, deixar de pensar que a garantia desses direitos está diretamente associada aos deveres de cada cidadão. Um não existe sem outro.

Como pudemos assistir nos vídeos que abriram esta cerimônia, realizamos através das emissoras de rádio e TV associadas à Acaert, a maior campanha de reafirmação desses valores.

O Jeito catarinense tratou de direitos e deveres, de ética e cidadania, de forma lúdica e intuitiva, com foco em nossas crianças que são o futuro do nosso estado e da nossa nação.

A mídia regional, e aqui falo da imprensa profissional com endereço, com nome e com compromisso com a sociedade, sempre foi um catalizador desses valores.

Quando falo em mídia regional, estou falado do rádio, da televisão, do jornal e dos portais digitais dos veículos de comunicação de santa catarina. Daquele apresentador, jornalista, empresário da comunicação que é conhecido na cidade, no município e na região onde atua.

Nossos comunicadores são os verdadeiros influenciadores da sociedade. Nossos telespectadores, ouvintes e leitores os autênticos seguidores. A nossa relação com o público é pautada pela confiança na informação, por isso temos na credibilidade o nosso maior ativo. E o resultado pode ser medido nas nossas audiências. Em todas as regiões é a programação local do rádio e da TV que tem os maiores índices de ouvintes e telespectadores. Justamente porque a programação da mídia regional tem esse compromisso com aquilo que realmente importa na vida das pessoas. 

 E isso, senhoras e senhores, é um dos pilares que fazem o nosso estado um estado diferenciado. Falo dessa convergência entre a sociedade, os poderes constituídos e mídia regional em torno do desenvolvimento sustentável de Santa Catarina.

E a liberdade de expressão, o verdadeiro oxigênio da imprensa, não assegura apenas a democracia, mas é alicerce para todos os outros direitos fundamentais.

Ética é fazer aquilo que é certo mesmo quando os outros não estão olhando. Cidadania é fazer o certo porque o direito de cada indivíduo termina quando começa o do outro.

E quando algumas dessas regras não está funcionado, ou pior, está sendo desrespeitada, é hora de confiar a justiça o equilíbrio da balança e a imparcialidade do julgamento.

Mas como antes também falamos no significado das palavras, porque não pensar no próprio conceito que ao qual a justiça remete. E aqui não falo, portanto, apenas da instituição, mas sim de mérito e do reconhecimento.

Fazer justiça, afinal, é reconhecer alguém. Pode ser culpado ou inocente, mas também podemos falar em mérito e valores. Ou seja, em ética e cidadania.

Se há um ofício que não permite omissão, esse sem dúvida é o do juiz de direito. Quando enfim os autos de qualquer processo chegam em suas mãos, é porque já se esgotaram todas alternativas de negociação. Ou porque uma das partes fez algo que extrapolou o que é certo, foi além dos seus deveres com cidadão, ultrapassou os limites da ética.

Tenho defendido ao longo dos anos em que estive à frente da Acaert, que a imprensa também não pode mais pecar pela omissão. Precisamos ter coragem para tomar posições e defender aquilo que é certo. Só assim vamos transformar o brasil.

E aqui me permitam fazer mais um paralelo entre a justiça e jornalismo. Ouvir as diferentes versões dos fatos, fazer as perguntas que faltam, analisar as provas e os documentos que existem. Todos essas são atividades convergentes entre juízes e jornalistas. E, muitas vezes, um se ampara no outro para encontrar as peças que faltam do quebra-cabeça. 

É claro que não cabe a imprensa julgar nada e ninguém, essa sim uma prerrogativa exclusiva do magistrado. Mas cabe sim à nós, dar luz as informações e aos fatos para que a opinião pública tenha os instrumentos necessários para fazer seus julgamentos. E quantas vezes foi o apelo das ruas, a pressão popular, que amparou decisões difíceis de governantes, empresários e porque não, juízes.

E digo isso afirmando que o senhor, Sergio Moro, inspira a todos nós aqui nesta sala hoje como cidadão, como profissional, como brasileiro. Suas decisões foram fundamentais para punir o maior esquema criminoso já descoberto no mundo. E se isso não é cidadania, não encontro melhor palavra para fazer justiça ao legado que o senhor criou ao punir exemplarmente e, imparcialmente, todos aqueles que cruzaram os limites da ética pensando apenas em benefício próprio.

Assim como ninguém está acima da lei, ninguém poderia ser complacente com a corrupção. Por isso, ministro moro e a todos que hoje nos prestigiam, nós da mídia regional reforçamos o nosso compromisso de seguir vigilantes e combativos, como sempre foi a missão da imprensa.

Reforçamos que acreditamos nas instituições e nos papéis que cada órgão exerce para o bem da sociedade, vamos continuar criticando os excessos quando for necessário, sempre priorizando aquilo que é realmente de interesse público.

No nosso papel como formadores da opinião pública, não podemos facilitar a vida daqueles que apostam na impunidade, mas acima de tudo devemos reconhecer as virtudes daqueles que estão realmente comprometidos com um brasil com mais ética e com mais cidadania.

E é isso que estamos fazendo aqui hoje. Reconhecendo publicamente uma das maiores personalidades do brasil. Entre as muitas lições que podemos aprender a partir do exemplo de Sergio Moro, destaco, talvez, a maior delas:

A primeira é a comprovação do ditado que diz que “apenas uma pessoa pode fazer a diferença”. O senhor é a prova de que isso é possível. E é só através das ações de cada um de nós aqui hoje que poderemos fazer uma grande nação.  Isso que devemos mostrar aos nossos governantes. Não podemos esperar que a transformação venha a partir deles, nós é que devemos liderar esse movimento.

E o senhor, ministro, despertou no brasileiro essa vocação, essa certeza, essa necessidade, essa obrigação. Hoje o cidadão tem consciência de que pode ajudar a mudar a sua realidade e a do seu entorno.

E isso que os veículos da mídia regional – o rádio, a tv, os jornais e portais digitais – além de todas as lideranças políticas e empresariais que se encontram aqui hoje, queremos ouvir e fazer reverberar a partir da sua mensagem, ministro Moro, de qual é a sua visão desse novo “Momento Brasil”.

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