Preso, pivô da Operação Chabu teria vazado a Alcatraz com informações de dentro da PF

Atualizado

A Operação Chabu, desencadeada nesta terça-feira (18) pela Polícia Federal, teve origem quando investigadores identificaram, em meados de 2018, o vazamento da Operação Alcatraz, ação deflagrada no dia 30 de maio com o objetivo de apurar fraudes em licitações e desvios de recursos públicos em órgãos de Santa Catarina.

O ND+ apurou que foi a partir desse fato que a própria PF passou a investigar internamente o possível repasse ilegal de informações a alvos da corporação no âmbito da Alcatraz, que foi “blindada” com o envio da parte principal do inquérito para o núcleo de Brasília.

José Augusto Alves posa com o Charging Bull, em New York: a lenda popular é que esfregar a mão nos testículos do touro de Wall Street traz prosperidade e dinheiro – Reprodução/Facebook

Foi aí que a PF chegou a José Augusto Alves, apontado, junto ao delegado federal Fernando Cairon, como o principal operador de um alegado esquema que tinha como objetivo oferecer informações privilegiadas a alvos de investigações, serviços de criptografia em telefones celulares, “grampos” ilegais e vazamento de processos nos âmbitos federal e estadual.

Leia também:

Sujeito de estatura baixa, pele morena e barba grisalha, Zé Mentira, como José Augusto era chamado por amigos e colegas, era figura conhecida em órgãos públicos e círculos policiais da Capital do Estado.

Em geral, se apresentava como representante de uma empresa israelense de contrainformação e não raras vezes impressionava interlocutores com as informações que possuía.

Duas fontes confirmaram à reportagem que José Augusto efetivamente tinha acesso a investigações sigilosas e também informações privilegiadas dentro não apenas da PF, como de órgão de controle estadual.

José Augusto Alves foi alvo de mandado de prisão na Operação Chabu – Reprodução/ND

Um advogado relatou, sob a condição de anonimato, que certa vez José Augusto ofereceu informações sobre uma operação que seria deflagrada. Sugeriu ao advogado já antecipar o fato a um possível alvo e receber comissão em caso de contratação para defender o investigado.

Em outro relato, desta vez de um servidor lotado na Assembleia Legislativa, onde José Augusto circulava com frequência, demonstra o nível de informações que ele detinha.

“Ele (José Augusto Alves) puxou o celular e começou a mostrar fotos e também imagens, além de cópias de um processo que estava em andamento”, descreve a fonte.

A aproximação com Fernando Cairon

Conhecido de policiais civis da “velha guarda”, Alves acabou se aproximando do delegado Fernando Cairon. De acordo com a PF, o delegado federal era um dos que “abasteciam” o araponga com informações que acabavam sendo comercializadas no mercado ilegalmente.

No inquérito da PF, há várias imagens de Cairon e Alves juntos, em diferentes situações, incluindo viagens. Para se ter uma ideia, dois delegados federais filmados em uma ocasião junto com a dupla foram chamados a prestar depoimento na Superintendência Regional.

Foi José Augusto, abastecido com informações de dentro da PF, quem teria vazado a Operação Alcatraz já em 2018, obrigando os investigadores a dilatarem os trabalhos e também prejudicando a ação sobre alvos que tomaram conhecimento das informações privilegiadas.

Política