Previsão de semana sem chuva e sem água nas torneiras da Grande Florianópolis

A previsão é de que não haverá chuvas durante esta semana. As frentes frias que chegam a Santa Catarina são de baixa intensidade e devem provocar chuvas fracas e mal distribuídas, ou seja, insuficientes para que os rios comecem a se recuperar da estiagem.

De acordo com os dados hidrológicos da Epagri Ciram, a falta de chuva deve agravar ainda mais a estiagem em todo o Estado.

Rio Vargem do Braço está em situação de emergência – Flavio Tin/ND

Há mais de três semanas a Casan (Companhia de Águas e Saneamento) trabalha com o regime de intermitência no abastecimento na Grande Florianópolis.

Bairros de São José e Biguaçu localizados em áreas mais altas e afastadas da rede de distribuição são os mais afetados pela estiagem.

Na Capital, os moradores dos bairros João Paulo, Trindade, Pantanal, Santa Mônica e Córrego Grande sofrem com a falta de água que há dias chega de forma irregular.

Em Palhoça, onde o abastecimento é feito pela Samae (Secretaria Executiva de Saneamento), os bairros São Sebastião, Bela Vista e Caminho Novo são o que têm ficado sem abastecimento, apesar do rodízio prometido pela prefeitura local.

Sem fornecimento normal, os moradores fazem de tudo para encher baldes, bacias e o que for possível quando a água chega na torneira.

Enquanto não houver chuvas volumosas na região dos rios que abastecem a Grande Florianópolis, milhares de consumidores continuarão sem ter o abastecimento normalizado.

O rio Vargem do Braço, em Santo Amaro da Imperatriz, está com 30% a menos de vazão – o que afetou de forma considerável o abastecimento na Grande Florianópolis.

Caminhão-pipa

Maria Helena é proprietária de uma empresa de fornecimento de água por caminhões-pipa em Palhoça. Segundo ela, a estiagem não trouxe tanto trabalho como geralmente ocorre.

Se antes vizinhos se reuniam e faziam uma vaquinha para encher as caixas d’água, hoje isso não acontece mais. “Não tá dando para gastar tanto”, reconheceu Helena.

Quem mais utiliza os serviços oferecidos pela empresária são condomínios. Ela atende na Grande Florianópolis e os caminhões “chegam a fazer” três viagens por dia. Ela possui dois caminhões de 20 mil litros e dois com capacidade de 40 mil litros de água.

Uma carga de 20 mil litros de água para Barreiros, por exemplo, pode sair por R$ 1 mil. “Depende do horário, se vou precisar pagar hora extra para os funcionários, tudo conta”, explicou.

A água fornecida pela empresa de Maria Helena vem de fonte própria: poços artesianos. O líquido é tratado sob os cuidados de um químico, que faz a análise para manter a qualidade do produto.

Louças se acumulam na pia da psicóloga Gisleyne Saavedra, em São José – Divulgação/ND

Banho de caneca

Se não pode pagar por caminhão-pipa, o jeito é comprar garrafões de água. É assim que a família da psicóloga Gisleyne Saavedra tem se virado para ter pelo menos água para cozinhar e tomar um banho de faz-de-conta. Ela reclama que está “sem água direto há 15 dias”.

No domingo dos pais não “caiu nada” e tem sido assim aos finais de semana. “Durante a semana chega um pouco e temos que encher as panelas, os baldes, tudo o que der. Faz muito tempo que não temos água na caixa e nas torneiras internas”, disse.

“A situação é muito crítica, nunca ficamos sem água por tanto tempo. Tenho que esquentar água na panela para poder tomarmos banho. Isso é um absurdo”, reclamou. A indignação de Gisleyne aumentou após ter recebido a conta de água com a mesma média de valor de quando o abastecimento estava regular.

“É revoltante! Como pode não ter reduzido em nada o valor da conta, sendo que não recebemos água há dias?”, questionou a moradora de Barreiros, em São José.

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