Primeiro cemitério público de Florianópolis ficava na cabeceira da ponte Hercílio Luz

Atualizado

O cemitério São Francisco de Assis, no bairro Itacorubi, foi criado na década de 1920 e recebeu os restos mortais do primeiro cemitério público da Capital, que ficava onde atualmente está o Parque da Luz.

Cemitério na cabeceira da ponte Hercílio Luz funcionou entre 1841 e 1923 – Foto: Casa da Memória/Reprodução/ND

“O cemitério da cabeceira da ponte funcionou entre 1841 e 1923, quando começaram as obras da ponte Hercílio Luz”, conta Elisiana Trilha Castro, doutora em História Cultural e presidente da Abec (Associação Brasileira de Estudos Cemiteriais).

Segundo a historiadora, aquela “era uma área onde já eram sepultados escravos, animais e até indigentes”.

Leia também

Na época, a região onde hoje fica o bairro Itacorubi era considerada muito afastada do centro urbano. A intenção da então superintendência municipal era justamente ocupar áreas que naquele momento não eram previstas para uso domiciliar.

“Para lá eu não vou não”

Em sua pesquisa, Elisiana descobriu que “as pessoas reclamavam da distância e da dificuldade de chegar até o novo cemitério”. “Tinha até uma musiquinha na época: ‘para lá eu não vou não, nem a pé, nem de carro, nem de caminhão”, disse.

O cemitério começou a receber sepultamentos em 1925. Lá estão os túmulos de algumas das famílias mais tradicionais da Capital catarinense e de personalidades como Antonieta de Barros e Franklin Cascaes.

Túmulos da família de Franklin Cascaes ficam no Cemitério do Itacorubi – Foto: Anderson Coelho/ND

Atualmente, o cemitério do Itacorubi é o maior da Capital – ocupa uma área de mais de 90 mil m², em que estão cerca de 18 mil sepulturas. As informações são da Comcap (Autarquia de Melhoramentos da Capital), que assumiu a administração do local.

Algumas das lápides e monumentos funerários mais antigos do cemitério do Itacorubi foram transferidos da necrópole da cabeceira da ponte. Para Elisiana, preservar o patrimônio fúnebre é importante para que possamos refletir sobre a vida.

“A morte é parte da nossa cultura e da nossa trajetória. Se a gente souber utilizar esse patrimônio como fonte histórica, pode propor e ganhar muito com reflexões sobre a vida. O cemitério é feito para que os vivos possam preservar memórias, expressar crenças, culturas e sentimentos”, defende a pesquisadora.

Lápides e monumentos funerários mais antigos do cemitério do Itacorubi foram transferidos da necrópole da cabeceira da ponte – Foto: Anderson Coelho/ND

Infraestrutura