“Problema com a placa é sinal de que precisa fazer algo”, alerta engenheiro sobre pontes

A placa metálica situada em uma junta de dilatação que soltou nesta quarta-feira (13) provocando a interdição de duas das quatro pistas da ponte Pedro Ivo Campos é um sinal de que as ligações rodoviárias entre o continente e a ilha necessitam de reformas urgentes. A afirmação é do presidente da ACE (Associação Catarinense de Engenheiros), Roberto de Oliveira, que aceitou o convite do ND para vistoriar, a bordo de um bote, a base das pontes Pedro Ivo Campos e Colombo Salles na manhã desta quinta-feira (14).

Com uma extensão de 1.227 metros e largura de 17 metros, a ponte Colombo Salles teve sua construção concluída no ano de 1975. Já a ponte Pedro Ivo Campos foi concluída em 1990, com 1.252 metros de extensão e largura de 17 metros. Ambas as pontes têm quatro faixas de tráfego, que ocupam 15 metros do tabuleiro e canaletas laterais, que servem para drenagem pluvial, ocupando uma faixa de um metro em cada lado da ponte.

Pontes precisam de reforma urgente - Foto: Marco Santiago/ND
Pontes precisam de reforma urgente – Foto: Marco Santiago/ND

As duas estruturas nunca passaram por reforma e basta se aproximar das bases para conferir o adiantado estado de oxidação das estruturas metálicas e o esfarelamento do concreto que envolve as vigas metálicas, diante do contato direto com a água salgada.  “Abruptamente não há riscos, mas esse problema da placa é um sinal de que é preciso fazer algo”, afirma o engenheiro.

Oliveira explica ainda que o fato de blocos de concreto estarem esfarelando na base das pontes não preocupa, pois têm apenas função estética. “O problema são as pontas das estacas. Para verificar o real estado delas, seria preciso mergulhar”, explica Oliveira, em relação as 12 estacas de cada base que são envolvidas pela proteção em concreto.

Diante de uma rápida passagem por baixo da ponte Pedro Ivo Campos, Oliveira também constata a oxidação da estrutura metálica utilizada. “Não era para acontecer essa oxidação, pois eles usaram um aço especial resistente à corrosão, que foi especialmente confeccionado na Usiminas para a obra da ponte”, afirma Oliveira.  Por isso, o engenheiro considera mais preocupante a situação da ponte Pedro Ivo Campos em relação à ponte Colombo Machado Salles, construída apenas em concreto.

Ainda segundo Oliveira, a necessidade agora é de uma reforma corretiva, e não preventiva, como deveria ser. “O nível de corrosão é alto. Isso pode aumentar o custo e o tempo (da reforma), e talvez seja necessária a interdição de pistas para execução dos trabalhos”, prevê. O engenheiro também destaca que o Brasil não tem a cultura de manutenção de obra. “No caso de pontes, vistorias frequentes estabelecem rotinas de manutenção”, salienta.

 Reforma deve ser autorizada até o final do mês

 Vencedora da licitação concluída em 2016 para reformar as pontes, a empresa Cejen Engenharia Ltda, de Curitiba (PR), deverá ser autorizada a executar os serviços ainda em fevereiro. Essa é a expectativa do secretário estadual de Infraestrutura, Carlos Hassler, que já tem conversado com representantes da empresa para planejar o trabalho que deverá ser executado em 24 meses ao custo inicial de R$ 29,6 milhões.

 De acordo com Hassler, a empresa já manifestou oficialmente o desejo de realizar a obra, uma vez que a licitação foi concluída em 2016 e aguardava a finalização do processo licitatório que define a empresa que fará a supervisão. “Ontem (quarta-feira), se encerrou o prazo da fase recursal da terceira fase da licitação e nenhuma empresa recorreu. Só falta homologar na semana que vem e, se Deus quiser, estaremos expedindo a ordem de serviço até o final do mês”, declarou.

 O secretário estadual também explicou que alguns procedimentos pouco serão vistos pela população, devido à própria complexidade da estrutura.  “Ninguém vai ver máquinas na ponte no dia seguinte da expedição da ordem de serviço. Primeiro, tem um trabalho de preparação e muitos dos serviços serão feitos embaixo da ponte. Quando chegar na fase de pavimento, a população vai sentir, pois será necessário o fechamento de vias, mas tudo isso será planejado para trazer menor transtorno ao usuário”, garantiu.

 Já o prefeito de Florianópolis Gean Loureiro está atento ao trabalho que será desenvolvido pelo governo do Estado, através do Deinfra, uma vez que as pontes são as únicas ligações entre a Ilha e o continente, embora não façam parte de jurisdição do município. “Não estamos querendo cobrar responsabilidades, mas sim esclarecimentos, porque o que aconteceu ontem trouxe intranquilidade para a população. Por isso é necessário entender o real estado das pontes”, afirmou Loureiro, colocando a equipe técnica do município à disposição do governo do Estado, como aconteceu na quarta-feira, quando a Guarda Municipal foi acionada para intervir no trânsito da ponte Pedro Ivo Campos e imediações da área continental.

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