Programa apoia a volta para casa de ex-dependentes químicos

Proposta visa fechar as portas para as famosas recaídas e evitar o retorno às casas de recuperação

Marcos Horostecki/ND

Liberto das drogas, Vilson Beppler (D) conta com o apoio da família

Tijucas – Quando um filho ou uma filha está perdido no mundo das drogas, é natural que os pais se armem para uma verdadeira guerra visando reverter a situação. Nessas horas, quem possui um grau mais elevado de instrução fica em vantagem. Busca auxílio de psicólogos ou diretamente na literatura sobre o tema. Entretanto, para a grande maioria da população, uma simples abordagem sobre o problema é mais complicada que a mais complexa das equações matemáticas. O drama persiste até mesmo depois da internação em uma clínica de recuperação, já que as famílias tem muito pouca noção do que pode ou não levar a uma recaída e à repetição de todo o processo.

Uma oportunidade de acesso à informação e discussão do tema, para famílias com parentes egressos de tratamentos contra dependência química, foi criada em Tijucas pelo CRAS (Centro de Referência em Assistência Social) em parceria com uma clínica de recuperação da cidade. Todas as quintas-feiras, às 19 horas, na sede do centro, no bairro da Praça, pais e filhos se reúnem para uma espécie de terapia de grupo, onde há trocas de experiências, histórias de vida e conhecimentos. O trabalho é acompanhado e coordenado por dois psicólogos e uma assistente social.

“Hoje em dia não é possível tratar a dependência química sem a participação da família. Quando um está doente, toda a família adoece”, garante a psicóloga Juliana Kuhn. De acordo com ela, em muitos casos, logo após o tratamento, há até a perda dos vínculos familiares, que precisam ser recuperados. A terapia é uma das formas de reintegrar a família.

A coordenadora do projeto, Rosely Steil, explica que, além das palestras e orientações, o trabalho é feito em rede, aproveitando toda a estrutura de atendimento de saúde e assistência social do município. As reuniões do grupo estão apenas começando e o número de participantes ainda é pequeno, mas a expectativa é atrair mais famílias daqui para frente.

Fechando as portas para a recaída

Para quem acaba de se recuperar e quer de uma vez por todas se afastar das drogas, a presença da família faz toda a diferença, afirma o pintor Vilson Beppler, 40 anos. Egresso de uma casa de recuperação, ele fez questão de levar o pai, Nelson Beppler, de 71 anos, para o grupo de apoio. “A gente sabe que a recuperação é muito difícil e a família precisa estar preparada para uma série de situações com as quais ela não convivia antes”, defende.

Vilson Beppler se libertou das drogas depois de 25 anos de dependência. Ele diz que depois da casa de recuperação voltou para a família transformado – com toda uma formação espiritual, fornecida pelo local e distante de tudo o que antes ele considerava certo. “A vivência no grupo deve dar aos meus pais a possibilidade de me entender um pouco mais e me ajudar, pois todo o dia é uma vitória para um ex-dependente”, acrescentou.

Esta semana será realizada a terceira reunião do grupo, mais o pai de Vilson, garante que já aprendeu muitas coisas nas duas primeiras palestras, que devem ajudar no convício com o filho. “A gente não sabia como isso funcionava e percebeu como a informação é importante”, acrescentou.

Nas reuniões, pelo contato com as famílias, a equipe de trabalho também fica sabendo como anda o comportamento do ex-dependente. E repassa novas orientações para que as portas que se abrirem para as drogas sejam fechadas, todos os dias.

 

Acesse e receba notícias de Florianópolis e região pelo WhatsApp do ND+

Entre no grupo
+

Notícias