Programa concede empréstimo de até R$ 10 mil para empreendedores de Florianópolis

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Independentemente do perfil ou área de negócio, começar um negócio não é uma tarefa fácil. No começo, a burocracia e a busca por um espaço no mercado são alguns dos desafios que empreendedores enfrentam. Além disso, as legislações e taxas acabam desanimando empresários que, em muitos casos não conseguem dar continuidade ao sonho. Mas inciativas como o Programa Juro Zero Floripa podem ajudar a mudar a realidade de proprietários de pequenos negócios.

Lançada em agosto de 2017, a iniciativa é a primeira do Brasil feita por uma prefeitura e tem como parceiro o Banco do Empreendedor. Com R$ 1 milhão  em créditos concedidos a 280 empreendedores na Capital, o programa oferece empréstimos sem juros de até R$ 7 mil a MEIs (Microempreendedores Individuais) e de até R$ 10 mil à ME (Microempresas).

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Idealizador do programa, o superintendente de Desenvolvimento Econômico de Florianópolis, Piter Santana, explica que, para conseguir os créditos é necessário antes, se adequar às regras do programa. Entre os pré-requisitos é indispensável que o microempreendedor ou a microempresa esteja em dia com a regularização de documentos e ser associado alguma entidade de classe do município. A ideia é, segundo Piter, fortalecer o empreendedor e ajudar as empresas a crescerem.

“A Prefeitura está trabalhando para oferecer um ambiente cada vez melhor para quem quer empreender. Há muito espaço para isso na cidade e o programa ajuda quem se dedica”, disse.

Para MEIs, o empréstimo pode ser dividido em até três etapas, com duas no valor de R$ 2 mil e a terceira de R$ 3 mil. As parcelas devem ser quitadas em 8 vezes, sendo que a última é paga pela prefeitura. Já para as MEs, o valor disponível é de R$ 10 mil dividido em dois períodos. Pago em 12 vezes, a prefeitura arca com as duas últimas parcelas do empréstimo. Ao todo, economia pode chegar a R$ 970 para microempreendedores e R$ 2 mil para microempresas.

Alexandre Stuepp Cavalcanti, proprietário de uma microempresa no ramo de tecnologia, conheceu o programa por meio das redes sociais e usou o dinheiro do empréstimo para investir na reforma do negócio. Com a iniciativa, Alexandre conta que deixou de trabalhar no modelo home office e pode, enfim, abrir um ponto de comércio no bairro Monte Verde.

Alexandre Stuepp Cavalcanti usou o empréstimo para abrir um ponto comercial no Monte Verde – Divulgação/ND

“Esse empréstimo me ajudou a fugir o dos cartões de crédito e a comprar materiais para investir na minha sala. Essa é a melhor linha de crédito e me ajudou muito. Para nós, pequenos, qualquer coisa conta”, disse.

Além do empresário, 87% dos empreendedores que usaram crédito por meio do programa aproveitaram a oportunidade para a compra de matéria-prima ou reforço no estoque. Outros 9% beneficiaram-se com a compra de equipamentos, 3% para expandir a empresa e apenas 1% realizam pagamentos de dívidas. Esses dados, fornecidos após um levantamento interno da superintendência, constataram ainda que do número total de empresários que tomaram o crédito, 89% participaram de capacitações sobre o programa, oferecidas pela Prefeitura de Florianópolis.

Iniciativa inspira criação de programa semelhante em outras 4 cidades 

Os números positivos difundiram a iniciativa para outros estados do país. Além de Luzerna, no Meio Oeste do Estado, que já implantou o programa de forma muito semelhante, São Paulo, Brasília e Teresina tiveram como base o texto do executivo e trabalham agora para implementar o projeto junto às prefeituras. Para Piter, esse intercâmbio ocorre por conta das visitas constantes em outros municípios além, é claro, dos bons resultados do projeto:

“Tenho, como rotina sempre que vou nas cidades, visitar as secretarias de desenvolvimento, mas geralmente [outras prefeituras] visitam o site do Juro Zero Floripa ou ligam com a intenção de conhece mais”.

O que é um MEI?

O MEI – Microempreendedor Individual – é aquele ou aquela que trabalha por conta própria com registro de pequeno empresário e oferece a modalidade de serviços, comércio ou indústria. Mesmo com o regime de tributação mais simples do país, pelo qual é possível manter um CNPJ e ter direito a benefícios como aposentadoria e salário-maternidade, o MEI no modelo tradicional ainda exige o pagamento de taxas e encargos.  Ainda, os empresários que optam pela modalidade podem faturar até R$ 81 mil por ano (ou R$ 6,7 mil por mês) e ter no máximo um funcionário.

O que é uma ME?

Uma ME – microempresa – é definida como uma sociedade empresária, simples e empresa individual de responsabilidade limitada que poderá ter receita bruta igual ou inferior a R$ 360 mil reais por ano. Com limite de faturamento, as organizações se enquadram no Simples Nacional, que apresenta vantagens do ponto de vista tributário ou fiscal.

Fonte: Sebrae

O que é preciso para ter acesso ao programa?

Mei: Aprovação do crédito, estar regular com a Prefeitura, ser associado alguma entidade de classe do município e ter realizado algum curso do Sebrae e ser registrado em Florianópolis

ME: Aprovação do crédito, estar regular com a Prefeitura, ser associado alguma entidade de classe do município e ser registrado em Florianópolis

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