Projeto em escola de São José incentiva alunos a registrarem problemas urbanos com celular

Enquanto alguns professores ainda encaram o celular como um vilão, o professor de geografia de uma escola de São José resolveu liberar a tecnologia em sala de aula para transformar os alunos em cidadãos fiscalizadores. Os estudantes do 6º ao 9º ano estão aprendendo conceitos de geotecnologias e passaram a observar o município de um outro ângulo, registrando tudo. “Eu já fotografei uma praça com os bancos quebrados, com os brinquedos enferrujados, com lixo no chão e com os fios elétricos caídos”, conta Yan Ataide Schmidt, de 12 anos.

Celular passou a ser ferramenta para estudantes de uma escola de São José - Reprodução/RICTV
Celular passou a ser ferramenta para estudantes de uma escola de São José – Reprodução/RICTV

As fotos são postadas no aplicativo do projeto Momento das Geotecnologias – Estudante Cidadão. “Tem vários problemas. A minha rua não é asfaltada e é cheia de buracos. Recentemente foram fazer umas reformas para arrumar as ruas e o saneamento básico, mas não terminaram direito”, afirma Laura Broering, de 12 anos.

As imagens contextualizam a realidade encontrada pelos alunos e são acompanhadas da geolocalização do ponto exato onde o problema foi constatado. “Hoje em dia todo mundo tá usando celular, então é uma forma até mais prática de a gente conseguir mostrar para as pessoas o que estamos fazendo”, explica Fernanda Cardoso da Costa, de 11 anos.

A tecnologia não apaga a essência do que o aluno precisa ter na escola: acesso ao conhecimento. Isso porque o projeto envolve conteúdos de geografia, português, inglês e história. “Unir todas essas disciplinas foi essencial para o andamento do projeto e para o conhecimento dos alunos, porque eles vivem todas essas linhas no cotidiano”, revela o professor Lucas Souza.

Estudantes utilizam aplicativo para registrar problemas urbanos encontrados - Reprodução/RICTV
Estudantes utilizam aplicativo para registrar problemas urbanos encontrados – Reprodução/RICTV

As fotos, assim como a localização de cada endereço dos problemas urbanos, irão formar um banco de dados. As imagens serão entregues à prefeitura por meio de um dossiê e um documento, redigido pelos estudantes. A intenção é cobrar soluções para as situações encontradas pelos alunos.

Para o Observatório Social de São José, o mais atuante no Brasil na fiscalização das ações do poder público, a iniciativa muda a realidade de uma sociedade muitas vezes alheia aos problemas comuns. “Hoje nós temos mais ou menos 29 municípios espalhados pelo Brasil onde, através de grupos do WhatsApp, cidadãos da sociedade civil fazem a fiscalização de todas as ações do poder público municipal”, revela Isaac Otávio Ferreira, voluntário do Observatório.

Com informações da RICTV Record SC.

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