Protesto contra cortes na Educação revela situação administrativa crítica da UFSC

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Manifestantes saíram em passeata pela rua Tenente Silveira. Foto: Anderson Coelho/ND

Os estudantes da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), IFSC (Instituto Federal de Santa Catarina) e do Ensino Médio participaram em Florianópolis da paralisação nacional convocada pela CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Educação). O protesto teve concentração no Largo da Catedral Metropolitana e depois ganhou as ruas Tenente Silveira e Pedro Ivo até chegar ao Ticen (Terminal de Integração do Centro).

Desde o início do ano, universidades e institutos federais perderam R$ 5,84 bilhões em verbas, ameaçando o funcionamento de alguns campi universitários, que podem ter que suspender as atividades a partir de outubro. Distribuindo apitos para os manifestantes, o professor de Geofísica do curso de Geologia da UFSC, George Caminha, explicou que a situação é crítica. “A UFSC não tem verba para fechar setembro. É muito mais que uma questão política, é uma questão administrativa”, justificou.

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Caminha explica que os docentes foram informados de que a Reitoria renegociou os contratos com fornecedores e serviços terceirizados no mês de agosto, com redução de 11% das despesas, mas que o mês de setembro é uma incógnita para o funcionamento da universidade. De acordo com a diretora do Sinte/SC (Sindicato dos Trabalhadores em Educação na Rede Pública de Ensino do Estado de Santa Catarina), Alvete Pasin Bedin, a falta de recursos não atinge apenas o Ensino Superior, mas atinge também a Educação Básica.  “O corte de material já está acontecendo em todo o país”, ressalta.

A dirigente também destaca que o clima é de total insegurança em relação ao magistério estadual, pois os professores não tiveram reajuste, apesar das propostas apresentadas pelo sindicato, após quatro audiências realizadas. “O Fundeb aumentou 11%. O governo só não paga porque não quer”, declarou Bedin .

O protesto também ganhou adesão de movimentos sociais como o MNU (Movimento Negro Unificado). Integrante da juventude do MNU, Rafael Luiz de Oliveira foi uma das lideranças que se revezou no microfone do caminhão de som estacionado no largo da Catedral durante a concentração. “Temos sofridos ataques sistemáticos do atual governo e estamos aqui para defender a Educação, pois a população negra é a mais afetada pelos cortes”, justificou.

A estudante de Psicologia da UFSC, Julia Grillo, salientou a importância do protesto. “Estamos aqui para defender a universidade pública, para que tenhamos mais recursos para pesquisa”, resumiu. De acordo com a Polícia Militar, aproximadamente sete mil pessoas participaram da manifestação. Além de Florianópolis, o ato também foi realizado nas cidades de Criciúma, Chapecó, Joinville, Jaraguá do Sul, Blumenau, Lages, Caçador, Curitibanos e São Miguel do Oeste.

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