Protetores pedem criação de CCZ em São José

Petição pública on-line é ferramenta de voluntários para que Centro de Controle de Zoonoses seja implantado para auxiliar na cas

Débora Klempous/ND

Mônica Cristina é uma das voluntária que encabeça o abaixo-assinado

A alegria de Ravel ao correr pelo quintal da casa de Samira Mabele, em São José, esconde as fragilidades do cãozinho que sobreviveu ao abandono. As falhas na pelagem denunciam a sarna em processo de cicatrização. Mas o problema cardíaco, a baixa imunidade e os tumores não são identificados a primeira vista. Com o rabinho agitado Ravel brinca, pula e retribui sem demora toda e qualquer demonstração de afeto. Ele não será dado em adoção, no entanto 14 companheiros de “abrigo” esperam por um guardião responsável. São animais vítimas de abandono, maus-tratos e abusos que foram recolhidos por voluntários da ONG Ação 4 Patas.  

 Há mais de seis anos a protetora Mônica Cristiana Probst recolhe animais das ruas da Grande Florianópolis. Há cinco meses ela criou com algumas amigas a ONG Ação 4 Patas, em São José. As voluntárias estão engajadas em um abaixo-assinado que pede a instalação de um Centro de Controle de Zoonoses em São José.

“Os protetores secam gelo. Não é nada fácil cuidar de um animal doente. E o pior, para cada bicho recolhido dezenas de outros são largados á própria sorte”, lamenta, sobre o trabalho de acolhimento realizado nos mais inesperados momentos, do dia ou da noite.

Por meio de sua assessoria o secretário de Saúde de São José, Carlos Acelino Pereira, informou que está em busca de um terreno para instalar um CCZ provisoriamente. O projeto arquitetônico para atender animais está pronto, faltando apenas a aquisição de um local para a construção. Acelino, que também é protetor, tem sob sua guarda mais de 200 animais. O secretário pretende instalar no bairro Potecas, ou Barreiros o CCZ, ainda nos próximos meses.  

A petição pode ser assinada no site

(http://www.acao4patas.org/index.php?option=com_content&view=article&id=42&Itemid=5)

Poder público precisa fazer sua parte

 “Precisamos que o poder público assuma sua responsabilidade”, pede a vice-presidente da Ação 4 Patas, Ana Paula Luz, lembrando que muitas pessoas até desejam castrar seus bichos, no entanto, esbarram na falta de recursos ou meios para transportar seus animais até uma clínica quando conseguem uma castração social.  “Os bichos são ferramentas importantes na psicoterapia”, defende, ao recordar uma visita com nove cães ao asilo Lar de Zulma, em Campinas. “Se o ser humano é capaz de abandonar um familiar, o que dizer de um animal?”, pondera ao relembrar a alegria dos idosos “esquecidos” no abrigo. Ana defende a conscientização da população para que os maus-tratos sejam minorados.

Comercialização de filhotes é mais um problema

“Quando um cliente compra um filhote ele não se dá conta de que é uma vida que exigirá uma série de cuidados”, lamenta, ao elencar as necessidades fisiológicas e veterinárias de cães e gatos.  “Filhotes são lindos, sim. Mas, eles crescem. Não devem ser comprados por impulso. Aliás, não deveriam nem ser comercializados”, critica Ana Paula. A vice-presidente da Ação 4 Patas lamenta que mesmo com o acompanhamento  das voluntárias 50% das pessoas que adotam animais da ONG, os devolvem meses depois. “Se não recebermos o bichinho ele corre o risco de ser abandonado novamente nas ruas”, detalha.

Cadelinha tem medo de gente

Em um dos três cercados do quintal de Samira Mabele, uma cadelinha esquiva-se assustada. Enquanto os demais cães correm sem parar por todo lado, a pequena busca distância. O medo de humanos ela adquiriu após ser vítima de estupro. “Esse é considerado crime de maus-tratos. Essa violência é um retrato cruel do que o ser humano é capaz de fazer contra os animais”, lamenta, ao enfatizar que mentes doentias como a do autor do abuso, muitas das vezes atentam contra crianças.

“Pelo modo como a pessoa age com os bichos pode-se definir, em parte, seu caráter. Estudos científicos confirmam o que digo”, ressalta a protetora que cede o salão social de sua casa para eventos em prol dos animais que esperam por um lar. “Além de feiras de adoção, promovemos cafés coloniais. Uma feijoada será o próximo evento para arrecadar fundos”, antecipa.

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