Quais são os subtipos de meningite bacteriana que circulam em SC e as vacinas disponíveis

Atualizado

A notícia de que Santa Catarina já confirmou 19 casos de meningite bacteriana tem causado preocupação na população. Até o momento, foram confirmadas ocorrências de quatro subtipos da doença no Estado: C, B, W e Y.

Segundo a especialista em epidemiologia Ana Cristina Vidor, médica e gerente de Vigilância Epidemiológica de Florianópolis, no entanto, não há necessidade para alarde.

Meningite afeta as membranas que envolvem o cérebro – Dive-SC/Reprodução

Apesar de a ocorrência da doença não ser atípica nesta época do ano, já que o número de enfermidades respiratórias aumenta durante os meses de frio, é preciso ficar atento aos sintomas e manter a caderneta de vacinação em dia.

“Meningite não é uma doença tranquila. Estamos falando de uma inflamação nas membranas que envolvem o cérebro. Então, claro, devemos ter muita atenção quando os sintomas aparecem, mas infelizmente a notícia dos casos não é algo atípico ou anormal. Os casos acontecem com mais frequência no inverno”, afirmou.

Subtipos identificados em SC

O termo “sorogrupo” diz respeito à classificação da bactéria Neisseria meningitidis (também chamada de meningococo), que causa a doença meningocócica.

A doença meningocócica caracteriza-se por uma ou mais síndromes clínicas, sendo a meningite meningocócica a mais frequente delas e a meningococcemia a forma mais grave.

São, ao todo, 12 diferentes sorogrupos da doença: A, B, C, E, H, I, K, L, W, X, Y e Z. No Brasil, os principais circulantes são o B, C, W e Y.

Em Santa Catarina, foram identificados até o momento os tipos B, C, W e Y. Confira na tabela abaixo onde ocorreu cada caso:

Casos de meningite em SC – Fonte: Dive-SC

*Campos em branco, ‘clínica’ ou ‘Ial’: Ainda em análise.

Vacinação

Existem três vacinas contra meningite meningocócica no país, mas o SUS disponibiliza apenas a vacinação contra o subtipo C. Conforme o Ministério da Saúde, esse é o tipo mais frequente da doença, responsável por 60% dos casos.

As demais vacinas (contra B, A, W e Y) estão disponíveis no Brasil em clínicas particulares, com preço médio de R$ 300 a dose. São duas: uma contra a meningite meningocócica B e outra contra as meningites meningocócicas A, C, W e Y – ou seja, trata-se de uma vacina quadrivalente.

Especialista esclarece dúvidas sobre meningite – Marcelo Camargo/Agência Brasil/Arquivo/ND

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Segundo caso em Imbituba

A Dive-SC informou que o segundo caso de meningite identificado em uma estudante de 12 anos em Imbituba, no mesmo local em que estudava uma das vítimas fatais da doença, é de outro tipo. Por isso, a ocorrência não foi contabilizada entre as 19 do balanço mais recente.

Conforme o órgão, o resultado dos exames da segunda menina apontou para a bactéria Streptococcus pneumoniae, e não a Neisseria meningitidis, como nos outros casos. A confirmação foi feita pelo Lacen (Laboratório Central de Saúde Pública de Santa Catarina).

“Esta bactéria é diferente da bactéria da estudante que faleceu. Então, não há relação entre os casos”, disse a Dive-SC. A menina está internada em Florianópolis com quadro estável.

O órgão informou que, na próxima segunda-feira (23), irá enviar um relatório completo, com todos os grupos de meningite registrados no Estado.

Dúvidas frequentes

Confira as respostas para as perguntas mais frequentes sobre a doença, conforme a especialista Ana Cristina Vidor:

A meningite pode atingir pessoas de qualquer idade?

Sim. Crianças, adultos e idosos podem contrair meningite, mas o maior risco acontece em crianças abaixo dos três anos.

Quais os principais sintomas ?

Os principais sinais e sintomas são febre, dor de cabeça intensa e contínua, rigidez na nuca e, nas meningites bacterianas, manchas vermelhas ou arroxeadas na pele. Em crianças, os sintomas podem não ser tão evidentes, mas uma vez que seja verificada a presença de desânimo, prostração ou moleira, é necessário se dirigir a uma unidade de saúde imediatamente.

Como se prevenir da doença?

Há diversas formas de prevenção. Entre elas estão: manter os ambientes bem ventilados; lavar as mãos com frequência com água e sabão; manter objetos higienizados; e evitar confinamentos e aglomerações. Além disso, é de extrema importância manter a carteira de vacinação em dia.

Qual é a forma de contágio?

O contágio se dá, geralmente, por meio das vias respiratórias, por gotículas, secreções do paciente e contato íntimo (residente da mesma casa, pessoas que compartilham o mesmo dormitório ou alojamento). A propagação também é facilitada em ambientes fechados sem ventilação e é potencializada nos meses mais frios do ano.

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