Quatro anos sem o surfista Ricardinho na Guarda do Embaú

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A morte do surfista Ricardo Santos, o Ricardinho, completa quatro anos neste domingo (20). Enquanto lidam com a saudade, amigos e familiares esperam que a justiça seja feita e que o ex-policial militar Luís Paulo Mota Brentano, preso em Joinville, não tenha sucesso nas constantes tentativas de diminuir a pena, que era de 22 anos de reclusão e passou para 17,6 anos. 

Nascido e criado na Guarda do Embaú, paraíso de Palhoça, Ricardinho pegou gosto pelo esporte logo cedo. No portão de casa, sempre tentava acompanhar algum surfista que seguia para o mar. O menino cresceu e as ondas ficaram pequenas. Desde 2008, corria o mundo atrás de sonhos maiores.

Ricardinho era especialista em surfar grandes ondas ao redor do mundo - Divulgação/ND
Ricardinho era especialista em surfar grandes ondas ao redor do mundo – Reprodução/Arquivo Pessoal/ND

Na manhã do dia 19 de janeiro de 2015, o destino dele cruzou com o do ex-PM, que havia passado a noite na praia bebendo, acompanhado do irmão, na época, com 17 anos. Eles estavam de férias em uma pousada da comunidade à convite do pai. Uma discussão banal resultou em um ataque pelas costas. O atleta chegou a ser levado ao hospital, mas morreu um dia depois.

William Zimmermann era um dos melhores amigos do surfista, além de fotografar o desempenho dele no mar. Ele conta que evita pensar na tragédia. “Eu particularmente procuro não ficar pensando no que aconteceu, sempre que vem alguma lembrança dele boa eu fico imaginando nossas histórias, se vem uma lembrança ruim procuro mudar o pensamento logo. Procuro só lembrar da vida dele e não da morte, ainda parece que ele ta viajando como sempre estava”, lembrou.

Relembre o caso

O surfista Ricardo dos Santos morreu no dia 20 de janeiro de 2015, um dia depois de ter sido atingido por dois tiros após uma discussão com o então soldado Luís Paulo Mota Brentano. O ex-policial estacionou o veículo em uma trilha, no caminho da casa da família do surfista, onde ele iria fazer reparos no encanamento com o avô. Ricardinho pediu a ele para retirar o carro, mas Brentano não concordou. Houve discussão e, na sequência, o policial atirou contra o surfista a curta distância.

Os tiros atingiram diretamente órgãos vitais do surfista. Um pegou na região do tórax (atravessando-o da lateral esquerda à direita) e outro na lombar (alojando-se na vértebra lombar, de trás para frente), ou seja, pelas costas. Apesar de alegar legítima defesa, Brentano foi julgado em júri popular no dia 16 de dezembro de 2016 e condenado a 22 anos de prisão em regime fechado, e oito meses de detenção em regime semiaberto, por dirigir sob efeito de álcool.

Menos de uma semana depois, o advogado do ex-PM, Leandro Gornicki Nunes, afirmou que pediria a anulação do julgamento, sem especificar os motivos, sustentando a tese de legítima defesa, e comentou que durante os dois dias de julgamento ocorreram situações favoráveis para a anulação da sentença, que na opinião dele foi exacerbada.

O defensor também se opôs à decisão da juíza Carolina Ranzolin Nerbass Fretta, titular da 1ª Vara Criminal de Palhoça, e conseguiu liminar concedida pelo desembargador da 4ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça, Rodrigo Collaço, autorizando Brentano a continuar detido nas dependências militares até que o mérito da causa (decisão final) seja julgado.

Em julho de 2017, o ex-PM teve a pena reduzida para 17 anos e seis meses de reclusão em regime fechado e sete meses e 15 dias de detenção em regime semiaberto. Além, disso ficará cinco meses sem poder dirigir.

Em agosto de 2017, após dois anos de detenção na sede do 8º Batalhão da Polícia Militar de Joinville, Brentano foi transferido para a Penitenciária Industrial de Joinville. Em dezembro do mesmo ano, a justiça não acatou a solicitação da defesa do ex-policial para retornar para a prisão no batalhão.

Em dezembro de 2018, Brentano escreveu uma carta ao STJ (Superior Tribunal de Justiça) solicitando um novo julgamento. Ele alegou que o resultado do júri poderia ser diferente se fosse realizado em um cidade fora da região litorânea de Santa Catarina, já que o fato de Ricardinho ser surfista causou comoção.

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