Quatro ex-funcionários e seis empresas estão envolvidos em fraude na Celesc, diz polícia

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A Polícia Civil divulgou mais detalhes sobre a operação Zero Grau, em coletiva na manhã desta quinta-feira (5), em Florianópolis. A ação investiga servidores e um grupo de empresários suspeitos de desviar recursos na Celesc (Centrais Elétricas de Santa Catarina).

A Polícia Civil concedeu coletiva para elucidar o caso na manhã desta quinta-feira – Foto: Polícia Civil/Divulgação

De acordo com o delegado Marcos Fraile, da Deic (Delegacia de Combate à Corrupção), ao menos quatro servidores da Celesc e seis empresas que prestam serviços de manutenção à companhia estão envolvidas no esquema.

Destes quatro servidores, todos já aposentados, um era da diretoria técnica, um assistente de diretoria técnica, um da diretoria de área, além de um funcionário da diretoria.

As seis empresas ficam em Florianópolis, São José, Curitiba (PR), Itajaí, Pescaria Brava e Orleans. Além dos veículos, a polícia também apreendeu documentos, celulares e R$ 180 mil na casa de um dos empresários.

Algumas das empresas investigadas ainda seguem prestando serviço para a Celesc até hoje. Os documentos apreendidos serão analisados e ajudarão na conclusão do inquérito, que em seguida será remetido ao Ministério Público.

O inquérito foi instaurado em 2013. A Polícia Civil não divulgou os nomes dos suspeitos. Até o momento, ninguém foi preso. “O juiz indeferiu as prisões em razão do lapso de temporal”, explica Fraile.

Esquema aproveitava desastres naturais

De acordo com a polícia, as suspeitas são que as fraudes eram feitas por meio de ordens de serviço para avarias causadas por eventos climáticos. Porém, os serviços não foram prestados e o dinheiro desviado.

Na tentativa de esconder a fraude, as ordens de serviço eram dadas sempre depois de algum vendaval e envolviam reparos emergenciais em instalações que supostamente teriam sido danificadas durante o temporal.

Porém, não na realidade não havia danos ou serviço realizados. Além disso, as empresas terceirizadas emitiam a nota, a Celesc pagava, e o dinheiro era dividido entre quatro funcionários da empresa.

Foram cumpridos 21 mandados de busca e apreensão e sequestro de 49 veículos, determinados pela Justiça em Florianópolis, São José, Itajaí, Blumenau, Orleans, Pescaria Brava e Curitiba (PR).

Polícia apreendeu cerca de R$ 180 mil na casa de um dos empresários – Foto: Polícia Civil/Divulgação

Foram apreendidos carros de luxo e caminhões. Os documentos apreendidos serão analisados e farão parte do inquérito. São apurados os crimes de peculato, associação criminosa e fraude à licitação.

“O inquérito apura desde 2013 serviços gerados por eventos climáticos pelo Estado. Em 90% deles, conseguimos comprovar que eles não foram realizados e os pagamentos eram feitos por notas fiscais frias no conluio entre os funcionários e empresários investigados”, afirma o delegado Marcus Fraile.

Ao todo, Fraile estima que o valor das fraudes possa chegar a R$ 10 milhões, mas essa quantia a polícia ainda não conseguiu comprovar em sua totalidade.

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