Queda de energia por causa de ciclone é maior evento em SC desde apagão de 2003

Celesc montou operação especial para promover a religação das 260 mil unidades consumidoras atingidas na madrugada de domingo

Logo após a passagem do ciclone por Florianópolis, na madrugada de domingo (4), equipes de plantão da Celesc (Centrais Elétricas do Estado de Santa Catarina) montaram uma verdadeira operação de guerra para dar conta de restabelecer o serviço de energia nas 260 mil unidades consumidoras atingidas na cidade. A operação deslocou  profissionais e equipamentos de outras regiões, sendo o serviço normalizado totalmente somente nesta quarta-feira (7).

“Num dia normal, trabalhamos com 30 profissionais no plantão. Mas nesse domingo nós ampliamos a equipe para 80 pessoas, e na segunda já tínhamos uma média de 100 profissionais trabalhando”, disse Adriano Luz, gerente da Divisão Técnica da Grande Florianópolis. Os profissionais foram deslocados de regionais como a de Tubarão, Blumenau, Lages e Criciúma.

Ciclone causou queda de energia em cerca de 260 mil unidades consumidoras em Florianópolis - Flávio Tin/ND
Ciclone causou queda de energia em cerca de 260 mil unidades consumidoras em Florianópolis – Flávio Tin/ND

A normalização do serviço seguiu protocolos próprios da empresa, que diante do grande número de chamados priorizou a religação em hospitais, postos de saúde, casos de fios partidos e grandes centralidades. Este foi o maior evento desde o apagão de 2003, quando toda a população da Ilha de Santa Catarina ficou sem energia por conta do rompimento nos cabos de transmissão de energia que passam dentro de uma das pontes de ligação com o Continente.

A passagem do ciclone, no entanto, tornou a situação mais complexa porque os casos se espalharam por toda a cidade. “Nós medimos o tamanho da gravidade através do número de ocorrências na tela do despachante. Nos últimos dez anos, nossa maior ocorrência eram 1.000 registros simultâneos. Neste fim de semana chegamos a 2.700 chamados na tela do despachante”, apontou Adriano.

O presidente da Celesc, Cleverson Siewert, garante que 99% das unidades já foram religadas até esta quarta-feira. A previsão inicial, segundo ele, era que o retorno fosse pleno ao longo das primeiras 48 horas. Ainda assim, a retirada de árvores e escombros demandou mais trabalho do que o esperado.

Dos 113 alimentadores da cidade, 35 foram desarmados. No primeiro dia, os profissionais conseguiram reduzir o número de atingidos de 260 mil unidades para 70 mil. Nesta terça, os técnicos restabeleceram a energia na Costa da Lagoa, onde 450 consumidores estão espalhados ao longo de sete quilômetros de trilha. Os nove postes danificados foram levados até a região de barco.

Uma das afetadas pelo ciclone, Amaryllis Chirichella faz reparos na casa após os fortes ventos - Marco Santiago/ND
Uma das afetadas pelo ciclone, Amaryllis Chirichella faz reparos na casa após os fortes ventos – Marco Santiago/ND

Reconstrução

Para todos os lados da cidade, a semana tem sido de reconstrução, principalmente de telhados e muros. Na rua Revoar das Gaivotas, no Rio Tavares, a casa da aposentada Amaryllis Chirichella, 66, foi destelhada com o vento. Ela começou o conserto na manhã desta quarta-feira. “Eu fiquei na casa da minha irmã de sábado até terça, não tive coragem de vir aqui para casa antes”, disse.

Além do destelhamento, a árvore que ficava em frente à casa de Amaryllis rachou ao meio com os fortes ventos. “O décimo terceiro vai ser só pra consertar os estragos do ciclone”, lamentou.

Próximo à casa de Amaryllis, outro imóvel foi destelhado, teve um muro destruído e dois portões de ferro caíram com a força do vento. A gaúcha Laura Mesca, 32, alugou a casa há dois meses e estava no Rio Grande do Sul quando o ciclone passou.

“Meu marido estava em casa e se assustou muito, parecia que ia arrancar a casa. O barulho do vento era muito forte, dava barulho das telhas caindo e dos animais latindo”, contou. Nesta quarta, a proprietária da casa estava levantando orçamentos para começar a reconstrução do que foi destruído a partir desta quinta-feira.

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