Quem bate?

Tem partícula nova batendo à nossa porta

É o frio! – responderia aquele personagem da propaganda das Casas Pernambucanas.

Mas hoje não falamos dos “reclames” de antigamente. O anúncio que me chamou a atenção foi o das “batidinhas” detectadas pelos cientistas. Em vez do frio, quem bate é uma provável nova partícula. Digo “provável” no sentido de “comprovável”, pois a comunidade científica só divulga novidades depois que elas já são notícia velha pra eles.

Se o desatento leitor e a curiosa leitora não atinaram, vamos aos fatos. A notícia: os físicos que trabalham no Grande Colisor de Hádrons – um acelerador de partículas gigantesco que fica na fronteira entre a França e a Suíça – tiveram (há mais de um ano, vejam bem) fortes emoções ao ouvir “batidinhas” detectadas pelo colisor. As batidas podem sinalizar a existência de uma nova e desconhecida partícula, seis vezes maior do que o Bóson de Higgs (a chamada “partícula de Deus”).

“Uma porta para um mundo desconhecido e inexplorado”, é como alguns cientistas consideram essa descoberta. Isso sempre me deixa animado com o bom uso que o ser humano pode fazer do livre arbítrio, a maior das virtudes que ganhou (de Deus, da evolução, não importa).

Vejam que não se fala, nesse caso, de “batidinhas” dadas por algum visitante intergaláctico ou mesmo ali do vizinho planeta Saturno (ei, piazada do meu tempo, lembram-se do personagem “Saturnino”, da revista Diversões Juvenis?). Não, o toc-toc vem aqui de dentro das moléculas. O mundo a ser explorado nada tem a ver com o gigantesco e plasmático sexto planeta e seus anéis. Os cientistas detectaram o ruído dentro de um mundo muitas vezes menor. De partículas. Pense em partículas do ovo de chocolate que você comeu domingo passado. São gigantes perto do que os físicos estudam.

Quando ouço ou leio notícias assim, vejo como não estamos longe de uma realidade ficcional só vista em filmes. Aquela, por exemplo, do inesquecível “Viagem Fantástica”, em que uma equipe de cientistas (ah, Raquel Welch e aquele zíper que não para fechado…) é miniaturizada e enviada, num submarino igualmente reduzido ao tamanho de um grão de poeira, para a corrente sanguínea de um paciente. Tô falando de uma produção de 1966, pense bem. Não me surpreenderia se daqui a algum tempo a comunidade científica divulgasse já ter realizado tal proeza.

Na verdade, há imensidões desconhecidas a explorar por aqui mesmo, dentro do microuniverso das partículas. Algumas imagens microscópicas até dão a impressão de uma viagem interplanetária.

Responda rápido aí, você que me lê: viajar pelo cosmo a bordo de uma nave ou dentro de uma molécula, pilotando um submarino miniaturizado? O que seria mais emocionante? Eu já escolhi: candidato-me a ambas as expedições, começando pela mais próxima, aqui dentro de uma molécula de proteína ou algo assim. Depois, pegar a Enterprise ou a Júpiter II e singrar o espaço desconhecido. Onde me inscrevo?