Quem permanece sentado por muito tempo pode morrer mais cedo, apontam pesquisadores

Fernando Mendes/ND

Ginástica laboral pode amenizar efeitos que prejudicam o organismo

Quem fica muito sentado pode morrer mais cedo. Segundo o professor Markus Nahas, coordenador do Núcleo de Pesquisa em Atividade Física e Saúde da UFSC (Universidade Federal da Santa Catarina), o organismo dessas pessoas começa a ter modificações bioquímicas, fisiológicas e metabológicas que aumentam o risco para certas doenças.

“Estudos populacionais no Canadá mostram que quem fica muito sentado estão mais propícias a morrer mais cedo. Mesmo pessoas que se exercitam, mas não levantam da cadeira durante horas, podem ter risco de doenças cardiovasculares, por exemplo”, explica. Nahas explica que há dois tipos de fisiologia: a do movimento e a do sedentarismo. Há 40 anos se produz conhecimento em torno da fisiologia do movimento.“Todo mundo sabe que quem se exercita é mais saudável. Porém, apenas recentemente passou a se observar o que acontece com as pessoas que ficam muito paradas”, diz ele. O importante é ter intervalos frequentes durante o dia para amenizar os efeitos que ficar sentado pode causar. “Pessoas que ficam sentadas por quatro horas, devem ter, na pior das hipóteses, 10 minutos para andar, fazer alongamento ou qualquer outra atividade em pé. O certo seria fazer isso de hora em hora”, afirma Nahas.

Para o professor, pequenas ações, como não pegar o elevador, afastar a impressora da mesa e evitar encaminhar e-mails para forçar-se a ir até o colega de trabalho, podem contribuir para uma vida mais saudável. “Não é só no trabalho que as pessoas ficam muito sentadas. Em casa e no deslocamento diário isso também acontece. Somando tudo isso, há soluções simples para ter uma vida mais longa”, relata.

O que acontece com o corpo de quem fica muito sentado

No Brasil, mais de 300 mil pessoas morrem por ano devido a doenças cardiovasculares. Muitas dessas mortes podem ter sido acarretadas por essas pessoas terem ficado sentadas durante muito tempo por dia. Essa ação diminui a produção da lipoproteína lípase, responsável pela quebra de triglicerídeos (gordura no sangue), o que causa a redução dos níveis de HDL (colesterol bom).

Com isso, há aumento, também, na resistência da insulina, afetando o metabolismo da glicose e possibilitando maior chance de diabetes. “Não se sabe ainda o que causa essa diminuição na produção da lipoproteína, mas se observa isso na população”, relata Nahas. Junto a isso, problemas genéticos, nível de estresse elevado e alimentação irregular diminuem a longevidade e promovem surgimento de outras doenças.

Ginástica laboral pode amenizar os efeitos

Para buscar uma vida mais saudável, a profissional de educação física, Claudia de Souza Santos, garante que um bom começo é fazer alguns exercícios básicos que ajudam na circulação e melhoram a consciência corporal. “A ginástica laboral, adotada por algumas empresas, diminui o desconforto corporal, estimula mudanças no estilo de vida e controla o estresse. Ainda promove a integração dos colaboradores, facilitando o desenvolvimento do trabalho”, comenta.

Para o atendente de telemarketing Renan Cruz, 26, a ginástica laboral trouxe benefícios visíveis e incentivou melhorias na qualidade de vida. “Fico sentado por cerca de seis horas e não costumava fazer exercícios regularmente. Os 10 minutos de ginástica serviram para relaxar e mostraram a importância de pensar mais na saúde. Hoje acordo mais disposto, tenho uma alimentação muito melhor”, conta.

Segundo Mariluce Lemos Gutten Ribeiro, diretora de Recursos Humanos da Aliar Contact Center, empresa em que Cruz trabalha, a atividade do atendente de telemarketing é muito sedentária e cabe à empresa proporcionar bem estar aos colaboradores. “Eles ficam mais felizes, mais leves e produzem mais. Tem empresa que acha que é perda de tempo parar para fazer a ginástica laboral, mas nós acreditamos que ganhamos tempo com isso. A incidência de afastamento ou dor é muito menor”, explica.

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