R$ 80 mil para definir futuro de edifício verde, localizado na região central de Joinville

Moradores precisam contratar estudo para avaliar o destino do prédio

Interditado há dez dias, o Edifício Nove de Março, localizado na rua de mesmo nome, na região central de Joinville, foi vistoriado mais uma vez na última sexta-feira (23). O futuro do edifício, no entanto, depende de um estudo a ser contratado pelos moradores e que deve custar de 60 a 80 mil reais.

Segundo o gerente da Defesa Civil de Joinville, Márnio Pereira, a nova vistoria serve para atualização dos relatórios do órgão. “É uma vistoria de retorno para avaliar a situação atual e dar um parecer mais adequado aos moradores”, explica. Gilberto Luiz, engenheiro especializado em estruturas, que monitora o prédio desde a interdição, conta que os profissionais visitaram apartamentos e locais que poderiam sinalizar um processo de deterioração da estrutura. “Não conseguimos perceber nenhum sinal, mas isso não quer dizer que o comportamento seja esse. Só essa vistoria não é o suficiente”, avalia.

Profissionais de engenharia e da Defesa Civil fizeram nova vistoria no edifício - Fabricio Porto/ND
Profissionais de engenharia e da Defesa Civil fizeram nova vistoria no edifício – Fabricio Porto/ND

Para definir o futuro do prédio, um estudo técnico deve ser realizado por profissionais especializados em estrutura. Gilberto conta que, no mercado, um trabalho como esse pode custar até R$ 100 mil. Porém, os moradores trabalham com a hipótese de um preço menor caso o estudo seja encomendado à empresa de Gilberto, que acompanha os moradores desde a interdição. Segundo ele, é possível que a estrutura possa ser reforçada, mas o estudo deve ser feito logo.

O prédio foi interditado no dia 14 de setembro, depois que um dos pilares de sustentação foi rompido por causa da corrosão. Com o rompimento desse elemento, que suportava um carregamento de 60 toneladas, o peso do prédio foi distribuído entre os pilares vizinhos, dos quais não se sabe a capacidade de suporte de peso. Para diminuir o risco de desabamento, foram implantadas cerca de 350 escoras de ferro embaixo do edifício, que servem para diminuir a carga suportada pelos pilares que restaram. “O ideal é que os estudos e as intervenções sejam feitos o quanto antes, já que os elementos vizinhos podem estar se deteriorando”, alerta Gilberto.

Jonathan Uttida, síndico do prédio, conta que alguns moradores pretendem emprestar dinheiro de familiares, enquanto outros buscam um empréstimo no banco, o que tem atrasado o início dos estudos, já que as agências bancárias estão em greve. “Foi uma coisa inesperada, o condomínio não tem esse valor em caixa”, conta. Dos doze apartamentos do prédio, dez estavam ocupados. “A nossa preocupação hoje é viabilizar esses valores”, completa Uttida.

O trânsito continua bloqueado para veículos e pedestres no trecho da rua 9 de Março, entre a Avenida Beira-Rio e o entroncamento da rua Aubé com a Hermann August Lepper. O canteiro central da Avenida Paulo Medeiros (trecho da Beira-Rio), perto do Mercado Municipal, foi aberto para a passagem de ônibus do transporte coletivo no corredor exclusivo.

Engenheiro alerta sobre rompimento de pilares

Especialista em engenharia de estruturas, o engenheiro Gilberto Luiz explica que o problema pode se repetir em qualquer edifício. “Desde o primeiro dia do término da construção de uma estrutura de concreto ela vai perdendo a capacidade de se proteger contra processos corrosivos. À medida que a estrutura não consegue evitar a corrosão, ela começa a perder a resistência, e isso acontece em todos os edifícios”, destaca. Segundo ele, a manutenção dos prédios é essencial para evitar a corrosão.

O engenheiro também alerta para a evolução silenciosa dos problemas em pilares, ao contrário do que acontece em lajes, por exemplo, quando a estrutura dá sinais de deterioração. “Hoje o pilar está inteiro e amanhã pode romper sem apresentar sinais. Eles rompem sem aviso nenhum”, avisa. Segundo ele, alguns sinais discretos podem indicar a deterioração dos pilares, mas precisam ser diagnosticados por especialistas.

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