Radar sinalizou tempestade no Oeste com duas horas de antecedência

Atualizado

O radar meteorológico localizado em Chapecó, no Oeste de Santa Catarina, sinalizou uma tempestade severa de nível máximo, por volta das 15h48 de quarta-feira (10). A sinalização ocorreu cerca de duas horas antes da passagem do tornado que atingiu municípios no Extremo-Oeste. Entre as cidades mais atingidas estão Descanso, Belmonte e Iporã do Oeste.

Após analisar imagens de satélite e drones, colher relatos de moradores e consultar especialistas, a Defesa Civil confirmou a ocorrência de tornado na região do Oeste e Meio Oeste – Foto: Defesa Civil/Divulgação/ND

A partir daí, o alerta teria sido divulgado nas redes sociais e por SMS para as pessoas cadastradas na Defesa Civil estadual, segundo Frederico Rudorff, coordenador de monitoramento e alertas do órgão. De acordo com Rudorff, a partir da sinalização é estabelecida a área possivelmente afetada e todas as cidades dentro dessa área recebem o alerta.

A resposta, no entanto, é dada pela Defesa Civil municipal, pois cada uma funciona com estrutura própria e tem seu protocolo de atuação. “Alguns órgãos municipais, inclusive, já estavam atendendo ocorrências devido às chuvas que atingiram a região dias antes, causando alagamentos”, afirma Rudorff.

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Por causa da dificuldade para detectar a formação do tornado, a ação da Defesa Civil acaba sendo preventiva, explica Sidnei Dezordi, coordenador regional da Defesa Civil do Extremo Oeste. “É difícil detectar a hora e formação de um tornado, tudo depende de um conjunto de variáveis. Não podemos esvaziar uma cidade, pois às vezes não é nada”, afirma.

A ação da Defesa Civil, nesses momentos, acaba sendo restrita em alertar os moradores para cuidados preventivos diante da possibilidade do fenômeno. Os alertas são enviados por meio dos canais de comunicação e mensagens de SMS para os cadastrados.

“Kit tempestade”

Conforme o coordenador de monitoramento, o alerta de tempestade severa nível 3 é o mais alto da Defesa Civil de Santa Catarina. Esse “kit tempestade” pode incluir fenômenos como ventanias, raios, granizo e chuva intensa com
alagamentos.

Uma ponte chegou a ser destruída em Iporã do Oeste, devido ao temporal – Foto: Flavio Vieira Junior/Defesa Civil de Santa Catarina/Divulgação/ND

“É mais difícil emitir alerta de um tornado, pois para identificá-lo é preciso fazer vários cortes nas imagens do radar e analisar muitas variáveis, o que nem sempre é possível para o meteorologista que está em operação”, diz Rudorff.

Embora o radar localizado no bairro Loteamento Desbravador, em Chapecó, consiga detectar tempestades com potencial de tornado, o coordenador explica que este não é um alerta trivial. “Mesmo nos Estados Unidos há dificuldades de fazer esse alerta, pois muitas tempestades geram sinal de tornado, mas ele acaba não acontecendo”.

Rudorff lembra que apenas um alerta de tornado foi dado no Estado ate então, há cerca de três anos, também na região Oeste. “O fenômeno atingiu localidades próximas à fronteira com o Paraná”. Ele diz ainda que a Defesa Civil estadual está fazendo parcerias com outras instituições, como o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e a Universidade de Santa Maria (RS), para implementar novos modelos que permitam refinar e detalhar os dados com maior precisão.

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