Rebeldes sírios derrubam pontes e forças de Assad preparam ofensiva em Idlib

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Grupos rebeldes da província de Idlib, no noroeste da Síria, destruíram duas pontes em uma zona próxima ao último grande reduto insurgente como forma de proteção no caso de uma ofensiva do regime.

As duas pontes, na província de Hama, vizinha de Idlib, ligavam os territórios insurgentes com as zonas governamentais, informou a ONG Observatório Sírio dos Direitos Humanos.

Facções islamitas da Frente Nacional de Libertação, principal coalizão rebelde de Idlib, explodiram na quinta-feira à noite as duas pontes, localizadas na área de Sahl al-Ghab de Hama, afirmou o diretor do Observatório, Rami Abdel Rahman. “Eram as duas principais pontes da zona, mas ainda existem outras duas”, disse.

De acordo com analistas, os territórios rebeldes de Sahl al-Ghab, entre as províncias de Hama e Idlib, poderiam ser um dos objetivos da eventual ofensiva do regime sírio e sua aliada Rússia.

O regime de Bashar al-Assad reúne, há algumas semanas, forças militares nos arredores de Idlib, perto da fronteira com a Turquia, sobretudo perto de Sahl al-Ghab, no que pode ser a preparação para uma ofensiva. 

Nos últimos dias, o regime sírio e Moscou elevaram o tom a respeito de Idlib, uma província dominada pela organização extremista Hayat Tahrir al Sham, criada pelo ex-braço sírio da Al Qaeda.

Nesta sexta (31), o ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, disse que o governo sírio tinha direito de remover os “terroristas” de Idlib e que há negociações para instalar um corredor humanitário para a saída de civis da região.

Cerca de 3 milhões de pessoas vivem na região, número que inclui 1 milhão de sírios que fugiram de outras regiões do país devido à guerra civil, que já dura mais de sete anos. 

A ONU e organizações civis dizem que até 800 mil pessoas podem ser deslocadas novamente em caso de uma ofensiva das forças de Assad. 

A Turquia, que apoia os rebeldes em Idlib, estaria negociando com a Rússia, que apoia o regime sírio, para evitar um conflito militar, segundo fontes ouvidas pela agência Associated Press. Já Moscou está reforçando sua presença naval no Mediterrâneo, o que pode ser um sinal de que estão se preparando para apoiar uma ação militar em Idlib.

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