Redes sociais denunciam vida de alto padrão de investigados na Operação Alcatraz

Atualizado

O relatório da Polícia Federal obtido pela reportagem demonstra o criterioso trabalho de campo realizado pelos policiais para comprovar o que investigadores classificam de tentativa de ocultar patrimônio adquirido com dinheiro obtido por meio de corrupção e de desvio de recursos públicos.

Nelson Castello Branco Nappi Junior aparece em imagens com objetos de luxo – Reprodução/ND

Para constatar que suspeitos eram, de fato, proprietários e usufruíam de imóveis, carros de luxo, motos aquáticas e lanchas registrados em nome de empresas, além de quebras de sigilo de emails, telefônico, fiscal e bancário, os agentes da PF foram à campo por meses a fio a partir de 2017, quando a delegada Erika Mialik Marena instaurou o inquérito policial.

O resultado é uma série de imagens que demonstram os alvos da Operação Alcatraz em inúmeras situações: desde pilotando “jet-sky” em uma praia do Norte da Ilha, entrando em academia até em reunião com representantes de escritório de arquitetura contratado para realizar projetos em imóveis recém-adquiridos.

Policiais juntaram aos processos imagens de investigados com objetos de luxo – Reprodução/ND

O principal exemplo é o casal Nelson Castello Branco Nappi Junior e sua esposa, Cristiane. Ele, ex-secretário adjunto de Administração do Estado e apontado pela PF e pelo Ministério Público Federal (MPF), é apontado pelas autoridades como sendo um dos líderes da alegada “organização criminosa”.

Para demonstrar que Nappi Junior era, de fato, proprietário de carros de luxo, apartamentos milionários, motos aquáticas e lanchas, os policiais federais acompanharam de perto sua rotina.

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No relatório, o ex-secretário aparece guiando automóvel Mercedes-Benz na Avenida Beira-Mar Norte, entrando na garagem do edifício na Cachoeira do Bom Jesus, saindo para a trabalhar no Centro Administrativo do governo do Estado, em encontros noturnos com outros suspeitos investigados na operação, entre outras situações cotidianas.

Em uma das imagens, ele aparece sobre um jet-sky na praia do Norte da Ilha, onde, segundo investigadores, adquiriu um apartamento por R$ 1,2 milhão. O equipamento náutico, acusam os investigadores, foi adquirido com recursos escusos e possui ao menos três outros co-proprietários, dois deles agentes públicos ainda não mencionados na Operação.

A esposa, Cristiane, também foi “seguida” pelos policiais federais. O veículo BMW que ela usava – o automóvel foi apreendido na operação – foi fotografado em vários locais, como, por exemplo, no edifício no bairro Estreito onde o casal comprou uma cobertura duplex por mais de R$ 2 milhões. Em outra imagem, Cristiane está em um café conversando com pessoas que, segundo a PF, são arquitetos. Ali, estariam conversando sobre a decoração do imóvel recém-adquirido.

Redes sociais

As redes sociais também foram importantes aliadas dos investigadores. Maurício Rosa Barbosa, alvo de prisão preventiva no dia da deflagração da Operação Alcatraz, por exemplo, embora tivesse em seu nome apenas um veículo Uno Mille Economy ano 2012, ostentava em seu perfil no Facebook imagens de viagens internacionais.

Em seu perfil, Maurício aparece com a esposa, Flávia, registravam “suas viagens pelo mundo”, na definição dos investigadores. Apenas em 2016 e 2017, foram vistas a países como França, Holanda, Espanha, Chile, EUA e também em pontos turísticos do Brasil.

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