Reino Unido denuncia russos por suspeita de ataque a Skripal

PARIS, FRANÇA (FOLHAPRESS) – O Ministério Público e a polícia inglesa identificaram nesta quarta-feira (5) dois suspeitos russos de usar o agente neurotóxico Novitchok para envenenar o ex-espião russo Serguei Skripal e sua filha, Iulia, em março deste ano, em Salisbury (sul da Inglaterra).

O episódio azedou relações entre Londres e Moscou, dando início a um fogo cruzado de acusações sobre a autoria do ataque, seguido por expulsões de diplomatas de lado a lado e fechamentos forçados de consulados que se estenderam a aliados britânicos.

Os nomes fornecidos são Alexander Petrov e Ruslan Boshirov, mas acredita-se que essas sejam identidades falsas. Ambos têm em torno de 40 anos e foram denunciados por conspiração para matar os Skripals, por posse e uso de Novitchok, e por tentativa de homicídio. O Ministério das Relações Exteriores da Rússia disse que os nomes “não significam nada para nós”.

Em pronunciamento no Parlamento britânico, a primeira-ministra Theresa May afirmou que seu governo fez bem em responsabilizar Moscou pelo ataque há seis meses. Ela disse ter informações da inteligência do Reino Unido dando conta de que Petrov e Boshirov são funcionários do serviço secreto russo.

“Com base no conjunto de informações de inteligência, o governo concluiu que os dois indivíduos identificados pela polícia e pelo CPS [Crown Prosecution Service, ou Ministério Público] são oficiais do serviço de inteligência militar da Rússia, também conhecido como GRU”, afirmou a premiê ao Parlamento.

Para May, “é quase certo” que a operação teria que passar pelo crivo dos altos escalões do Kremlin. “Não foi uma ação à revelia [dos chefes].”

A primeira-ministra afirmou ainda que as investidas do serviço de inteligência russo “representam uma ameaça a todos os nossos aliados e cidadãos” e que o Reino Unido “usará todas as ferramentas de que dispõe em seu aparato de segurança nacional” para combater as ações de Moscou.

A investigação levantou imagens de câmeras de segurança que mostram os suspeitos chegando a Londres em 2 de março, dois dias antes do envenenamento, e deslocando-se para Salisbury duas vezes, nos dias 3 e 4 daquele mês.

De acordo com a polícia britânica, Petrov e Boshirov foram filmados na vizinhança da casa dos Skripals no dia 4, data do envenenamento, horas antes de regressarem a Londres para pegar um voo de volta para Moscou.

Os policiais trabalham com a hipótese de o agente tóxico ter sido levado para a Inglaterra dentro de um vidro falsificado de perfume e ter sido aplicado na porta da residência da família russa.

A promotora responsável pela apuração disse que Londres não solicitará a extradição dos suspeitos porque a legislação russa veta o procedimento quando se trata de nacionais. Mas um mandado europeu de prisão foi expedido e vale para qualquer país do continente em que eles venham a pisar.

“Suspeito que eles quiseram dar uma mensagem aos russos que vivem em outros lugares e estiveram envolvidos em questões relacionadas ao Estado russo”, acrescentou a premiê Theresa May.

Serguei e Iulia Skripal, além de um policial que também foi envenenado pelo Novitchok, se recuperam bem. Mais de três meses depois do episódio, um homem achou o vidro de perfume em Salisbury; ele foi hospitalizado e sua namorada, Dawn Sturgess, 44, morreu após terem contato com o Novitchok.

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