Reino Unido registra alta em crimes de ódio após atentados e votação do “brexit”

AAHUS, DINAMARCA (FOLHAPRESS) – O Reino Unido registrou uma disparada nos crimes de ódio nos últimos anos, aponta um relatório divulgado pelo governo britânico nesta terça-feira (16).

Foram contabilizadas mais de 94 mil ocorrências entre abril de 2017 e março de 2018, um aumento de 17% em relação ao ano anterior e mais que o dobro de incidências registradas cinco anos atrás. Os dados dizem respeito apenas à Inglaterra e ao País de Gales, sendo excluídos, portanto, crimes na Escócia e na Irlanda do Norte.

O relatório aponta que houve “picos em crimes de ódio após certos eventos como o plebiscito sobre a União Europeia [em 2016] e os ataques terroristas em 2017”. A alta dos índices também se deve, em parte, ao aperfeiçoamento do sistema de registro de ocorrências.

Um dos crimes de ódio registrados no período foi um atropelamento em frente a uma mesquita na região de Finsbury Park, no norte de Londres, em junho de 2017 –após uma série de atentados no país reivindicados pela facção terrorista Estado Islâmico. O ataque, registrado como crime de ódio por ter muçulmanos como alvo, deixou um morto e ao menos dez pessoas feridas.

A maior parte dos crimes de ódio foi motivada por racismo e xenofobia (76%). Outros crimes foram motivados por homofobia (12%), intolerância religiosa (9%), preconceito contra deficientes (8%) e transfobia (2%) –a soma das porcentagens é superior a 100% pois o mesmo crime pode ter mais de uma motivação.

Segundo o relatório, minorias raciais e religiosas são especialmente vulneráveis a crimes de ódio. Por exemplo, pessoas de origem asiática têm aproximadamente quatro vezes mais chances de sofrer ataques do que brancos, e muçulmanos são vítimas de crimes de ódio com uma frequência seis vezes maior do que cristãos.

“Crimes de ódio se chocam frontalmente com os valores britânicos tradicionais de unidade, tolerância e respeito mútuo”, disse o secretário do Interior, Sajid Javid. Ademais, ele disse que o governo tem planos para “atacar as raízes do preconceito e do racismo, oferecer suporte às vítimas de crimes de ódio e garantir que os responsáveis enfrentem a força da lei.”

Um dos crimes de ódio que mais chocaram o Reino Unido nos últimos anos foi o assassinato da parlamentar Jo Cox em junho de 2016, durante a campanha do plebiscito que aprovou a saída britânica da União Europeia. Ela foi morta a tiros e facadas por um terrorista de extrema direita enquanto participava de uma atividade de campanha contra o “brexit”.

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