Relatório aponta caminhos para o desenvolvimento sustentável de Florianópolis

Atualizado

Professor Hans Michael van Belle fez apresentação do RAPI 2018. Foto: Anderson Coelho/ND 

O primeiro passo para apontar caminhos para o desenvolvimento sustentável da cidade foi dado pela Rede Ver a Cidade Florianópolis, com a elaboração do RAPI (Relatório Anual de Progresso dos Indicadores). O documento foi apresentado na manhã desta terça-feira (25) na CDL (Câmara de Dirigentes Logistas), em evento promovido pela Acaert (Associação Catarinense de Emissoras de Rádio e Televisão) e está disponível para download no site FloripAmanhã .

O RAPI foi confeccionado com metodologia do programa CES (Cidades Emergentes e Sustentáveis) do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) e apresenta a situação da Capital a partir de 132 indicadores distribuídos em três dimensões: ambiental, econômica e urbana. O documento é resultado de um processo de coleta e análise de indicadores de sustentabilidade urbana realizado entre abril e novembro de 2018, com a participação de voluntários, professores especialistas, mestrandos e doutorandos.

A maioria dos indicadores é comum às seis cidades do Brasil que fazem parte da Rede – Florianópolis, Vitória (ES), João Pessoa (PB), Palmas (TO), Goiânia (GO) e Três Lagoas (MG). “O objetivo da coleta e análise de progresso dos indicadores é auxiliar governo e sociedade a estabelecerem e seguirem prioridades claras e mensuráveis para o desenvolvimento sustentável da cidade”, destaca o professor da UFSC e integrante do grupo de Inteligência da rede Hans Michael van Belle.

Alguns indicadores do RAPI 2018 em comparação com RAPI 2017. Reprodução RAPI 2018

Na apresentação realizada no CDL, Belle apresentou um panorama geral do relatório. “A metodologia é robusta e consegue enxergar bem cada aspecto da cidade. O relatório é bastante extenso e a gente só cuida daquilo que a gente conhece”, resume van Belle, para destacar a importância dos dados coletados.

O diretor regional Florianópolis do Grupo RIC Roberto Bertolin destacou o papel da comunicação para que o RAPI tenha continuidade e possa basear futuras políticas públicas. “É um processo de construção e isso não se encerra hoje. Por isso, é importante que nós, da comunicação, possamos disseminar essas informações para a sociedade que poderá fazer a cobrança junto ao gestor público”, declarou.

Para a presidente da FloripAmanhã, Anita Pires, o RAPI pode transformar a forma como a sociedade cobra os resultados dos gestores públicos. “Precisamos consolidar a cultura de monitorar a cidade e ver como os recursos públicos são aplicados realmente. Os indicadores têm que passar por um debate da sociedade”, afirmou.

 TRABALHO COLETIVO 

O RAPI foi elaborado a partir de um trabalho coletivo que envolveu diferentes organizações. O processo de coleta dos indicadores junto ao poder público, a sistematização e a análise foram conduzidas pelo Grupo Estratégico de Monitoramento (GE) da Rede Ver A Cidade, em parceria com o Grupo Estratégico de Inteligência e sob a coordenação da comissão executiva local formada pela Associação FloripAmanhã, a UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) e a RIC TV Record.

Presidente da Acaert e do Grupo RIC, Marcello Petrelli destacou trabalho coletivo da Rede. Foto: Anderson Coelho/ND

De acordo com o professor Hans Michael van Belle, o próximo passo será capacitar técnicos da prefeitura de Florianópolis para realizar o trabalho de monitoramento e qualificação de indicadores.  Distribuídos em três dimensões, os 132 indicadores também estão aglutinados em 32 subtemas e 12 temas. Para indicar o nível de satisfação, cada indicador foi “semaforizado”, ou seja, identificado com as cores verde, amarelo e vermelho.

Cada informação obtida durante a coleta com o ente responsável foi discutida entre os técnicos e devolvido a fonte original para conferência. “A Rede não produz nenhum dado. São dados de outros entes que são sistematizados”, relata van Belle.

O professor ressalta ainda que a falta de dados de anos anteriores faz com que alguns indicadores estejam sinalizados em vermelho, por isso é preciso analisar o documento na íntegra para entender a metodologia empregada na pesquisa. É o caso da qualidade de ar, por exemplo, um dos 40 indicadores observados na dimensão ambiental. “O indicador está em vermelho por absoluta falta de monitoramento, mas nunca se soube que Florianópolis tem problema com a qualidade de ar”, exemplifica.

Entre os destaques positivos do RAPI 2018 estão indicadores como a gestão pública participativa, a vulnerabilidade frente a desastres naturais, a conectividade, a educação e a saúde. Já entre os destaques negativos estão indicadores como o esgotamento sanitário e drenagem, energia, qualidade do ar, dívida e segurança.

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