Relatório da CPI dos Radares afirma que propina apreendida no RS era para coligação do PSD em 2014

Relatório parcial foi apresentado na manhã desta terça (20) e cobra suspensão de contratos do Convênio de Trânsito

O relatório preliminar da CPI dos Radares, apresentado na manhã desta terça-feira (20) na Câmara de Florianópolis, aponta que o dinheiro apreendido no Rio Grande do Sul do ano passado com servidores municipais de Florianópolis se tratava de caixa 2 para a campanha da coligação do PSD em 2014.

Divulgação/CMF/ND

O relatório foi apresentado na manhã desta terça-feira

“Essa informação pode ser reafirmada pelas escutas que Polícia Federal dividiu com a CPI. Os policiais rodoviários federais Luciano Cafruni e Douglas Panveck, que foram os que fizeram a apreensão, foram taxativos de que o dinheiro era para campanha da coligação do PSD em 2014”, afirmou o relator do processo, vereador Ricardo Camargo (PR).

A comissão informou que vai intimar o presidente estadual do PSD, Antônio Ceron, para que informe quem era o tesoureiro da campanha em 2014. Na nova fase das investigações, os vereadores também intimaram o atual secretário de segurança e gestor do Convênio de Trânsito, Rafel De Bonna, e o presidente do Ipuf (instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis), Acácio Garibaldi, para depoimentos.

Segundo o relator, os guardas municipais Júlio Pereira Machado e Adriano Melo, envolvidos diretamente com a apreensão dos R$ 100 mil e um aditivo no contrato dos radares, ocupavam posições estratégicas na Diretoria de Operações do Ipuf (Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis) de onde controlavam os contratos do Convênio de Trânsito. A comissão também cobrou o andamento dos processos administrativos contra os dois agentes, que seguem atuando como guardas municipais. Os guardas agiriam sob a coordenação do então presidente da Câmara, vereador Cesar Farias (PSD). Os três estão denunciados ao lado de outras dez pessoas pela Vara do Crime Organizado e aguardam julgamento.

Ricardo Camargo lembrou que além do contrato dos radares, que só foi suspenso em junho, o contrato dos semáforos, que continua sendo executado pelo denunciado Carlos Henrique de Almeida, o Baiano, e o Contrato da Sinasc, que recebeu diversos aditivos, apresentam o mesmo modus operandi da quadrilha.

Além de cobrar a retirada imediata dos radares da cidade, que mesmo não multando continuam sendo operados pela empresa Kopp, a comissão cobrou a suspensão do contrato dos semáforos e de sinalização. Além da elaboração de projeto de lei para publicação de extrato da execução de todos os contratos do município.

A comissão também acionou o Ministério Público, comunicando e solicitando ações sobre a demora da Prefeitura de Florianópolis em prestar informações à comissão.

“A CPI foi muito madura quando aprovou o relatório preliminar. O que está acontecendo em Florianópolis é para além do contrato dos radares e nesse sentido o caminho que a CPI tem a trilhar é amplo, tem ramificações na Prefeitura inteira, que é o que se demonstra, inclusive, pela fala de Jarrie [JarrieAlbani Leria], então diretor de licitações da prefeitura”, disse o relator. Segundo depoimento de Jarrie, todos os contratos do município estavam centralizados no Grupo Gestor, liderado pelo chefe do executivo.

“Não existe nada de propina”, diz presidente do PSD

Antônio Ceron, presidente estadual do PSD na campanha que sagrou a reeleição de Raimundo Colombo, nega que o dinheiro apreendido no Rio Grande do Sul em setembro de 2014 seja propina de campanha. “Toda a arrecadação do partido está registrada, não existe nada de propina, os envolvidos não trabalhavam na campanha”, disse. Ceron confirmou que o tesoureiro na época, José Carlos Oneda, prestará depoimento se convocado. “É natural que a Justiça busque a informação, mas não existe nenhuma ligação entre o partido e a apreensão do dinheiro”, finalizou.

Vereador Ed Pereira (PSB), lembrou que em seu depoimento, um dos policiais federais citou o nome de Dario Berger (PMDB), então candidato ao senado. A coligação do PSD em 2014 envolvia também os partidos PSD / PRB / PMDB / PR / PTB / PSC / PSDC / PROS / PV / PCdoB / PDT / DEM.

“Quando aconteceu a apreensão dos R$ 100 mil eu procurei o Ministério Público Federal e o Ministério Público estadual e abri a CPI para investigar possível crime eleitoral. Se tivéssemos tido acesso antes ao depoimento dos policiais rodoviários poderíamos ter barrado a diplomação dos envolvidos”, disse Ed.

Participe do grupo e receba as principais notícias
da Grande Florianópolis na palma da sua mão.

Entre no grupo Ao entrar você está ciente e de acordo com os
termos de uso e privacidade do WhatsApp.
+

Notícias

Loading...