Repercussão: ex-reitores, amigos e colegas lamentam a morte de Luiz Carlos Cancellier

“Conciliador” é o adjetivo mais usado para definir o perfil do reitor afastado Luiz Carlos Cancellier. Representantes de instituições, órgãos governamentais, ex-reitores da UFSC e de outras universidades que conheceram e conviveram com o catarinense repercutiram sobre a morte de Cancellier. O governo de Santa Catarina e a prefeitura de Florianópolis decretaram luto de três dias a partir desta segunda-feira (1°).

Reitor Luiz Cancellier, com obras do artista plástico Willy Zumblick, tubaronense como ele - Divulgação/ND
Reitor afastado Luiz Cancellier foi encontrado morto na manhã desta segunda-feira (1°) – Divulgação/ND

Ex-reitor da UFSC Antônio Diomário de Queiroz foi amigo de Cancellier, o qual conhecia desde a década de 1990. “Sempre foi uma pessoa correta e de liderança, tanto como professor quanto como reitor. Há muito que se questionar a maneira como foi conduzido o processo [da operação Ouvidos Moucos], independente de ele ter culpa no processo ou não”. Para Rodolfo Pinto da Luz, reitor por três vezes da UFSC, os últimos fatos “abalaram” toda a  universidade. “A UFSC é uma instituição de renome, que tem realizado muito e formado pessoas em todo o país e no exterior. Estamos absolutamente chocados”, afirma.

O presidente da OAB/SC (Ordem dos Advogados do Brasil), Paulo Brincas, foi professor de Cancellier, quando ele cursava Direito na UFSC. Brincas criticou a forma como a operação foi conduzida. “Hoje decreta-se prisão muito facilmente. A pessoa passa uma vida de trabalho e sacrifício para construir uma reputação e uma manchete de jornal destrói tudo. Quem vai reparar isso? É hora de a comunidade jurídica e sociedade começarem a repensar essa sanha punitivista que estamos vivendo. Essa ansiedade de punição a qualquer preço, de desprestígio à defesa”, diz ele.

O procurador-geral do Estado, João dos Passos Martins Neto, afirmou em nota que a morte de Cancellier ocorre “sob condições revoltantes” e defendeu a investigação da operação que resultou na prisão do reitor. “As informações disponíveis indicam que Cancellier padeceu sob o abuso de autoridade, seja em relação ao decreto de prisão temporária contra si expedido, seja em relação à imposição de afastamento do exercício do mandato, causas eficientes do dano psicológico que o levaram a tirar a própria vida”, afirma. Para o procurador, o caso deixa exposto ao país “a perversidade de um sistema de justiça criminal sedento de luz e fama, especializado em antecipar penas e martirizar inocentes, sob o falso pretexto de garantir a eficácia de suas investigações”.

O governador em exercício, Eduardo Pinho Moreira, disse que conviveu com Cancellier desde a Assembleia Nacional Constituinte e lamentou sua morte. “Um homem dedicado à causa pública, extremamente justo, conciliador, tranquilo e que sempre buscou o melhor para a sociedade”, afirma.

 

Eduardo Pinho Moreira, governador de Santa Catarina em exercício

“A sua morte nos leva a refletir sobre o momento brasileiro e possíveis exageros cometidos em processos como o que se viu envolvido, ainda em fase de investigação”.

Gean Loureiro, prefeito de Florianópolis

“A morte por si só nos causa um sentimento de tristeza, de dor. Agravada pelas circunstâncias do fato ocorrido, a morte do reitor Cancellier nos deixou perplexos e chocados”.

Paulo Brincas, presidente da OAB/SC

“Cancellier era uma personalidade de conciliação e de diálogo, uma pessoa muito aberta ao entendimento, que sempre buscava soluções conversando”.  

Antônio Diomário de Queiroz, ex-reitor da UFSC

“Ele era comprometido com a universidade, tinha um perfil conciliar e aberto. É uma tragédia”.

Rodolfo Joaquim Pinto da Luz, ex-reitor da UFSC

“Ele, acima de tudo, era um conciliador. Afável, ouvia bastante e falava menos. Era uma pessoa que tinha respeito pelas outras”.

Marcus Tomasi, reitor da UDESC

“Sempre foi um homem muito tranquilo e ponderado. Em sua posse como reitor, houve um protesto de alunos cobrando moradia e ele agiu exemplarmente, sempre muito conciliador”.

Cassildo Maldaner, ex-senador

“Foi na posse dele [última vez que Maldaner o encontrou]. Aquele foi um momento de muita alegria e, para ele, muito especial. Conheci ele jovem, ainda quando jornalista. É uma coisa inacreditável”.

Edson Andrino, ex-deputado federal

“O Cao sempre foi uma pessoa muito pacífica, mesmo nos tempos em que o Partidão era proibido e com algumas divergências dentro do MDB ele sempre soube ser respeitoso com os outros”.

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