Santa Catarina descarta construção de hospitais de campanha mesmo com recomendação da OMS

O governo de Santa Catarina não pretende construir Hospitais de Campanha para tratar pacientes que vão precisar de atendimento por conta da Covid-19. A estratégia do Estado está em construir, até maio, 713 leitos de UTI (Unidades de Tratamento Intensivo) nos hospitais que já existem. 

Hospital de Itapema foi preparado para receber casos de Covid-19 – Foto: PMI/Divulgação/ND

As unidades provisórias, normalmente construídas em estádios ou grandes espaços, são ações de estados do Brasil no combate à pandemia. Elas podem internar pacientes com menor gravidade e ajudam a diminuir a lotação dos hospitais convencionais. As estruturas são recomendadas pela OMS (Organização Mundial da Saúde). 

Em entrevista ao Portal R7, o diretor-geral da organização, Tedros Adhanom, afirmou que os países estão no limite de suas redes de atendimento e sugeriu a construção dos hospitais emergenciais para evitar colapso. “As grávidas continuam dando à luz, as pessoas continuam tendo outras doenças infecciosas”, destacou.

Em São Paulo, o governo municipal construiu uma estrutura dentro do Estádio do Pacaembu para atender pacientes de baixa e média complexidade. Ao todo, são 200 leitos para infectados com o novo coronavírus. Rio de Janeiro prevê três estruturas semelhantes.

Na China, onde houve o primeiro surto da Covid-19, o governo construiu 16 hospitais provisórios com mil leitos no total. Um deles ficou pronto em apenas 10 dias

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Leitos de UTI em Santa Catarina

Atualmente, Santa Catarina possui 801 leitos de UTI dentro de hospitais públicos, filantrópicos e particulares. No entanto, nem todos estão reservados para o tratamento do coronavírus. O número engloba unidades intensivas neonatais e pediátricas.  

Além disso, as estruturas já comportam pacientes que precisam de internação por conta de outras comorbidades, como problemas do coração ou transplantados.

O governo do Estado não confirma o número de leitos que já estão ocupados por pacientes de outras especialidades. 

Isolamento é alternativa para diminuir superlotação

De acordo com médico, mestre em Saúde Pública e ex-reitor da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), Lúcio Botelho, a quarentena poderá minimizar a superlotação nos hospitais de Santa Catarina, mas não e possível prever quantas pessoas precisarão de atendimento.

Tanto no Estado como ao redor do mundo, somente pacientes graves são submetidos a testes. Por isso, segundo o especialista, não é “possível fazer uma projeção” real dos pacientes que estão com coronavírus. 

“Os modelos matemáticos dependem de dados matemáticos. Nós não vamos ter leitos se nós não impedirmos [o avanço da doença]. O momento é tão delicado que eu não quero ser leviano para a contribuição e, dentro do limite esperado e na diminuição dos casos, eu acho que é possível que a gente consiga atender todos”, disse o professor.

Foto: Pixabay/Reprodução

Somente nesta semana, após 35 dias do primeiro caso confirmado no Brasil, o primeiro lote com 500 mil kits de testes rápidos chegaram ao país. Nesta semana, o Ministério da Saúde começará a distribuir os teste aos estados.

10% estão em UTI no Estado

Em entrevista coletiva na noite de terça-feira (31), o secretário de Estado da Saúde, Helton Zeferino, afirmou que pacientes graves e profissionais da saúde que trabalham no atendimento ao coronavírus ganham preferência na realização do teste. Pessoas que já morreram e apresentavam diagnóstico da doença também serão submetidas ao exame “a título de estatística”.  

No Estado, 10% das pessoas diagnosticadas com coronavírus estão nas UTIs. A informação foi confirmada durante a coletiva de imprensa na noite de terça-feira (31). O detalhamento de cada um dos casos não foi informado. 

Unidades de referência

Na semana passada, o governo de Santa Catarina designou cinco hospitais pelo Estado para serem referência contra o novo coronavírus. A ideia é que cada região do Estado possua uma unidade de referência para o tratamento. 

Confira as unidades de referência:

  • Hospital Florianópolis
  • Hospital Regional Afonso Guizzo
  • Hospital Regional Terezinha Gaio Basso
  • Hospital e Maternidade Tereza Ramos
  • Hospital Municipal São José

A reportagem do nd+ questionou o governo do Estado sobre a quantidade de novos leitos em cada uma das unidades, mas não houve retorno.

Também foi perguntado sobre os profissionais que vão atuar nas novas estruturas, já que cada médico intensivista pode ser responsável por apenas 10 leitos. Também não houve resposta.

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