Santa Catarina pode sofrer escassez de milho e prejudicar produção de carne

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Santa Catarina pode sofrer escassez de milho no próximo ano. A consequência direta é que as cadeias produtivas de aves e suínos e o agronegócio no Estado podem sofrer prejuízos. O alerta foi emitido pela Faesc (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina), nesta terça-feira (24), por meio de uma nota.

Faesc alerta para escassez de milho em 2020 – Julio Cavalheiro/Secom/Divulgação

Para a entidade, a insuficiência de milho se dá por conta da seca dos últimos meses, recentes queimadas, atraso no plantio e redução de área cultivada. O aumento das exportações do grão e a situação cambial favorável também são fatores econômicos que influenciam a redução.

Segundo o vice-presidente da Faesc e ex-secretário de Estado da Agricultura, Enori Barbieri, o Brasil alcançará uma safra recorde que deve atingir 101 milhões de toneladas.

No entanto, como a situação cambial estimulará a exportação, o mercado interno será enxugado. Com isso, o o grão mais escasso e o preço do milho ficará mais alto.

Além disso, a previsão é de que ao menos 5 milhões de toneladas serão transformados em etanol de milho no Centro-Oeste do Brasil.

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Para Barbieri, que assinalou também uma redução no plantio em Santa Catarina, faltou visão e planejamento ao Ministério da Agricultura. “A situação será difícil em 2020 e já deve faltar milho no primeiro semestre. O cenário é preocupante porque, da demanda total, 96% destinam-se à nutrição animal, principalmente dos plantéis de aves e suínos”.

Assunto será levado a Brasília

Com o sinal de alerta,  a entidade informou que levará o assunto até o Ministério da Agricultura, em Brasília. Em Santa Catarina, o déficit de milho é de 3,3 milhões de toneladas a cada ano.

Com a falta do grão, o produto é suprido pelas importações interestaduais de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Paraná, além das importações da Argentina e Paraguai. A soja é a principal concorrente em área com o milho no Estado.

De acordo com a Cepa (Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola da Epagri), a safra de milho-grão da primeira e segunda safra enfrentará queda de 1,07% na área plantada, de 3,16% do volume produzido em 2020. Com relação à produtividade, a queda será de 2,12%.

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