Saudades do Café Matisse

Definição sobre abertura de novo bar/café no CIC faz lembrar do antigo local que fez história em Florianópolis

Foi notícia no Plural do Notícias do Dia de quarta-feira (15) que o Centro Integrado de Cultura voltará finalmente a ter um bar/café. Em 60 dias, a empresa que venceu a licitação deverá estar com o estabelecimento funcionando, suprindo, em parte, uma carência que se arrasta desde de 2009, quando o Café Matisse encerrou suas atividades e o CIC ficou sem um local que sirva de ponto de encontro do público que vai lá para conferir peças, shows, filmes e exposições.

Alexandre Gonçalves/Arquivo Pessoal

Adesivo do Café Matisse

E no fundo é “suprindo, em parte” mesmo porque dificilmente qualquer bar/café que abrir no local, por melhor que seja, alcançará o grau de importância que o Matisse atingiu para Florianópolis. Era mais do que um ponto de encontro. Muitas vezes, quando abria seu palco para os artistas da cidade, era praticamente uma trincheira cultural. “Era um local agregador dos artistas, muitas trocas aconteciam ali e isso faz muita falta, pois era um local central na cidade, de fácil acesso”, diz Ulysses Dutra, músico da banda Phunky Buddha, que lotou (mas lotou mesmo!) mais de uma vez as dependências do Matisse com seu som sacolejante.

:: Centro Integrado de Cultura terá novamente um café-bar

No ano passado, a repórter Carol Macário produziu uma grande reportagem para o Plural destacando o processo de reabertura do espaço, ouvindo antigos sócios, artistas e frequentadores do Café Matisse desde sua inauguração em 1994. Pelos depoimentos colhidos pela Carol dá para sentir a importância do Matisse para a classe artística.

Assim como na reportagem do Plural, Ulysses reitera aqui no Mirante o quanto o local foi importante para aquela geração dos anos 90 que buscava seu espaço na cena cultural de Florianópolis. “Minha principal lembrança do Café Matisse é a de que na carência de locais para tocar e nós da Phunky Buddha íamos atrás e batemos lá, que era um lugar onde só rolava voz e violão, propondo um show, já que havia um palco e a vontade de ocupá-lo”, diz. “Fizemos inúmeros eventos memoráveis, inclusive uma festa à fantasia onde cerca de 500 pessoas ficaram de fora, fantasiadas”.

Daniel Dias/Arquivo Pessoal/ND

Palco do Matisse dava espaço para músicos como Dudu do Banjo 

Com tantas lembranças e boas histórias (daria um livro?), fica a expectativa de que o novo espaço encarne pelo menos um mínimo do que representou o Café Matisse. Como disse lá em cima, não é uma tarefa fácil. Mas ter o espaço já é um começo. O público dará a resposta, certamente, já que é muito sem graça ir ao CIC ver um show ou uma peça e não ter um local ali mesmo para conversarmos sobre o que vimos ou sobre as expectativas do que veremos.

Leia a reportagem especial sobre o Café Matisse publicada no Plural do ND em setembro de 2013