SC é um dos oito estados com mais casos no interior do que em grandes centros

Atualizado

Santa Catarina figura como um dos oitos estados que possuem mais casos no interior do que na capital e em regiões metropolitanas, segundo dados das secretarias de saúde levantados pelo jornal Estado de S. Paulo.

No mesmo sentido, os outros estados que apresentam interiorização estão os vizinhos Paraná e Rio Grande do Sul, assim como Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Pará.

Em março, 12,4% dos casos no Brasil eram em cidades do interior, ao passo que no mês de maio foram 34,5%. Em Santa Catarina, no mesmo período, o governador Carlos Moisés (PSL) citou que a distribuição de casos daquele momento mostra que havia uma concentração dos casos nas cidades do litoral do estado, panorama que mudou no mês de maio.

Os dois municípios com o maior número de casos são do Oeste: Chapecó (1.150) e Concórdia (1.140) – Foto – Divulgação/ND

No dia 26 de maio, Chapecó passou a ser o epicentro da doença em Santa Catarina, e segue nesta posição. Nesta sexta-feira (19), o município acumulava 1.186 casos. Em seguida, está outro município do Oeste, Concórdia, com 1.165.

O fenômeno, segundo especialistas, pode ser natural, mas também gera problemas graves, uma vez que os grandes centros tendem a concentrar mais estrutura de assistência hospitalar em vários estados.

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“Não dá pra dizer que nada é comum nessa pandemia, tudo é novo. O fato é que aqui no estado houve um aumento de casos no litoral, inicialmente, e agora vemos uma interiorização de casos para a região do Oeste, algo que outros estados também viram”, afirma a epidemiologista Ana Curi Hallal.

Ocupação de leitos

Em Santa Catarina, são 130 leitos de UTI no Extremo Oeste, ao passo que a Grande Florianópolis acumula 237, de acordo com a secretaria de Estado da Saúde.

O hospital Regional de Chapecó, por exemplo, possui 64 leitos, mas atende pacientes dos municípios vizinhos, já que os hospitais com leitos de UTI mais próximos do local seriam em Concórdia, Xanxerê e Maravilha.

Total de confirmações por mês nas maiores cidades de Santa Catarina – Foto: Arte/ND

As causas para essa mudança na concentração de casos podem variar, em função de diversos motivos,  como comportamento ou cumprimento de regras sanitárias. Ana Hallal lembra que alguns pontos de trabalho tiveram acúmulo de casos no interior catarinense, mas ela também ressalta as medidas adotadas em Florianópolis.

Distanciamento social

“Em Florianópolis, o distanciamento tem sido adotado e respeitado, mais até do que outros municípios, isso em conjunto com uma política de testagem ampla”, observa.

Da mesma forma, o isolamento social registrado nesta quinta-feira (18) era de 35,6%. No entanto, o estado catarinense já chegou a 72,8% no dia 22 de março, logo no início da decretação das medidas mais rígidas.

“Uma coisa interessante é a comparação do período de isolamento mais intenso no estado, que foi do dia 19 março a 20 de abril com 22 de abril a 23 de maio. Podemos ver que houve, no segundo intervalo, um aumento no número de casos, cerca de seis vezes, assim como um aumento de três vezes no número de óbitos”, aponta.

Ela continua, lembrando da taxa de letalidade ao longo do tempo. “Quando verificamos o coeficiente de mortalidade, que compara o número de óbitos com a população, vemos que esse coeficiente era de 0,5 por 100 mil habitantes. Depois do início da flexibilização, chegou a 1,6 por 100 mil. Percebemos um aumento de três vezes quando comparamos períodos de flexibilização e isolamento”, acrescenta a epidemiologista.

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