SC: Proibição da pesca de arrasto gera preocupação no setor pesqueiro

Atualizado

Após a notícia de que o ministro do STF (Superior Tribunal Federal) Celso de Mello negou liminar contra uma lei gaúcha que veda a pesca de arrasto no litoral do Rio Grande do Sul, entidades ligadas ao setor mostraram preocupação com a proibição.

Sindicato dos Armadores e das Indústrias da Pesca de Itajaí e Região diz que proibição irá atingir 1.290 trabalhadores da entidade – Foto: João J. Francisco/Divulgação/ND

O fato de não poder praticar esse tipo de pesca, segundo as entidades, causará impacto direto nos pescadores, nas famílias e na cadeia da atividade como um todo.

Procurado pela reportagem para comentar o assunto, José Jorge Neves Filho, presidente do Sindipi (Sindicato dos Armadores e das Indústrias da Pesca de Itajaí e Região) exemplifica o impacto com os números dos próprios associados da entidade: “A proibição atinge 215 embarcações da modalidade de arrasto de peixes e camarões, onde trabalham cerca de seis tripulantes por embarcação, totalizando aproximadamente 1.290 mil trabalhadores”, levanta.

Cadeia da pesca será atingida

Já em relação a empresas de processamento e beneficiamento de pescados, somente o Sindipi conta com 42 associadas, que possuem cerca de 100 funcionários diretos por empresa. “Se levarmos em conta que cada um dos tripulantes das embarcações possui uma família de em média quatro pessoas, chegamos a mais de 5.000 pessoas envolvidas direta e indiretamente com a pesca”, lamenta José Jorge Neves Filho.

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O presidente do Sindipi afirma que a proibição da pesca de arrasto é válida não só para o Rio Grande do Sul, mas para toda a região Sul e também para a região Sudeste do Brasil.

E continua, “se contabilizarmos os trabalhadores das 42 unidades de beneficiamento e a mesma média familiar, chegamos ao total de 21 mil envolvidos direta e indiretamente com a atividade”.

Os profissionais ligados à logística, como caminhoneiros, redeiros, lojas de materiais, postos de abastecimento (gelo, óleo diesel marítimo, mantimentos, etc), engrossariam ainda mais esta estatística, lamenta José Jorge Neves Filho.

Impacto financeiro no estado

Como exemplo prático, o presidente do Sindipi, afirma que só na captura de camarão o Estado teria o seguinte cenário: “A cada 100 barcos que em seis meses capturariam cerca de 10 mil toneladas, o valor final (depois do produto congelado) seria em torno de R$ 400 milhões de reais. Só de ICMS arrecadamos um valor de R$ 48 milhões de reais. Esse é apenas um vislumbre do terrível impacto dessa Lei para o nosso setor pesqueiro”, diz.

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