Florianópolis tem queda de 54% no volume de homicídios em 2019

Atualizado

A Capital de Santa Catarina já contabiliza 36 mortes violentas em 2019. Segundo dados da GEAC (Gerência de Estatística e Análise Criminal), de 1º de janeiro até 26 de junho Florianópolis registrou 26 homicídios, um feminicídio e nove óbitos como consequência de confronto policial. Com 79 mortes em 2018, Florianópolis apresenta agora redução de 54% no volume de mortes violentas.

Em relação ao mesmo período de 2018, os dados marcam três índices distintos: maior percentual de mortes em enfrentamento com a polícia, queda no número de homicídios e diminuição dos casos de femicídio.

Polícia Civil vai até comunidade do Papaquara, no Norte da Ilha, para recolher corpo – Polícia Civil/Divulgação/ND

Em relação ao mesmo período de 2018, os dados marcam três índices distintos: maior percentual de mortes em enfrentamento com a polícia, queda no número de homicídios e diminuição dos casos de femicídio.

No panorama com o índice de óbitos por confrontos com a polícia, houve acréscimo de 5%. Em 2018, o percentual de mortes mostrou que 20% foram causadas por enfrentamento com as forças de segurança. Já neste ano, choque com as policias de Florianópolis ocasionaram nove mortes; o que representa 25% do total de crimes violentos letais.

Outro dado importante no relatório deste ano foi a ausência de mortes por latrocínio e lesão corporal seguida de morte na cidade. No ano passado, a polícia havia contabilizado uma morte para cada uma dessas qualificadoras.

Perfil das vítimas e feminicídios

Em relação aos dados das vítimas divulgados, a média de idade permaneceu em 29 anos. Conforme a GEAC, dos três adolescentes mortos em 2019, dois deles tinham 17 e um 16 anos. As estatísticas mostraram também que a grande maioria das vítimas foi do gênero masculino.

Das 36 mortes, três foram de mulheres e, deste total, somente um dos casos foi qualificado pela Polícia Civil como feminicídio.

No ano passado, nos seis primeiros meses do ano, Florianópolis havia contabilizado o número de cinco mulheres vítimas de homicídio. Destas, apenas três haviam sido classificadas como feminicídio.

Comunidades são mais vulneráveis

Registrada no dia 3 de janeiro, a primeira morte em 2019 aconteceu em uma das regiões mais carentes de Florianópolis, a Vila Aparecida, na região continental.

De acordo com o relatório da Polícia Militar, um adolescente de 17 anos, morador da comunidade, foi morto a tiros em uma operação contra o tráfico de drogas. Segundo os agentes, assim que entraram na área, os policiais foram recebidos por disparos de arma de fogo.

Em outra comunidade, as duas mortes mais recentes divulgadas pela polícia aconteceram no dia 23 de junho, na comunidade do Papaquara, no Norte da Ilha de Santa Catarina.

Segundo a Polícia Civil, uma suposta briga entre duas facções resultou na morte de dois homens. Na região, em janeiro deste ano, o corpo de um homem foi encontrado dentro de uma vala.

Para o presidente da Amocan (Associação de Moradores de Canasvieiras), Cleber Rottava, a sensação de mais segurança é visível, mas as operações das polícias nas regiões mais periféricas de Florianópolis ainda ocasionam mortes de jovens vítimas do tráfico.

“Claro que não é o ideal, mas a gente vê que diminuiu muito a violência no Norte da Ilha nos últimos anos. As comunidades mais pobres, no entanto, ainda sofrem e têm casos de homicídio. Nós, enquanto associação, podemos fazer muito pouco, mas tentamos dar oportunidade para que os adolescentes não entrem para as drogas”, disse.

Entre os projetos de prevenção ao crime, Cleber destaca a parceria entre a associação e o Cras (Centro de Referência de Assistência Social). No local, além da oferta de empregos, há promoção de cursos, assistência psicológica e prevenção para famílias que vivem em áreas de vulnerabilidade e risco social.

Falta de prevenção à violência

De acordo com o presidente da Comissão de Segurança, Criminalidade e Violência Pública da OAB-SC (Ordem dos Advogados do Brasil de Santa Catarina), Noel Baratieri, Florianópolis deve comemorar os dados positivos.

No entanto, as mortes causadas como consequência do tráfico de drogas ainda são motivo de preocupação e discussão. Para o advogado, as comunidades mais pobres ainda são as que mais sofrem com interferência de facções e com a inexistência de políticas de prevenção.

“Nós temos uma polícia preparada, mas temos facções muito bem armadas e grupos violentos. Por outro lado, existe uma omissão muito grande do poder público que não entra nas comunidades e, quando vai, oferece educação sem qualidade, não oferece saúde para a população e não oferece prevenção contra a violência”, disse.

De acordo com a PM-SC (Polícia Militar de Santa Catarina), o trabalho nas comunidades tem sido feito intensamente desde o ano passado. E como consequência, o índice de intervenções registrou um aumento natural “nos locais onde o crime dominava”.

OAB defende mudança na legislação para diminuir tráfico

Responsável por representar a OAB-SC em assuntos vinculados à segurança pública, Noel Baratieri defende uma mudança na legislação para punir usuários de drogas.

Segundo ele, os principais responsáveis por financiar as facções dentro das comunidades muitas vezes não moram nos bairros violentos. Essa distância, então, permite o crescimento da desigualdade.

“Temos que passar por uma mudança legislativa. Na minha opinião, um homem de classe média que usa drogas, como cocaína e maconha, é o responsável pelo tráfico e as mortes. Para isso acabar, temos que ter uma punição mais rígida para essas pessoas. Acho que a solução é focar no usuário que nem sempre está na comunidade”, avaliou.

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