Sensações!

Minha manhã de trabalho com certeza irá se transformar na história que vou contar aos meus filhos logo mais à noite. E torço para que eu consiga transmitir 1% da emoção que vivi nesta quarta-feira. Itajaí está realizando até o dia 28 de agosto a semana da pessoa com deficiência e várias ações estão sendo desenvolvidas. Uma delas acontece na escola municipal Judith Duarte de Oliveira no bairro Itaipava.

Na manhã desta quarta (21), estive lá para conhecer a sala das sensações. Uma iniciativa de professores para tentar aproximar os estudantes das diversas deficiências que existem. Algumas fazem parte da rotina da escola que atende alunos especiais, outras a vida vai nos apresentar. O desafio do meu trabalho foi vivenciar a sala das sensações. Com os olhos vendados me lancei neste universo. Na sala de aula adaptada uma floresta, no fundo o som dos pássaros e o convite para tentar passar um túnel. Uma experiência sufocante, pois não consegui ultrapassar. Na sequência, momento de usar as minhas mãos para tocar pedaços de lixa, tecidos, potes, com bolinhas feitas de algo molhado, leve, materiais difíceis de identificar. Continuando o caminho me deparei com uma palavra e o desafio de descobriu letra por letra. Mais uma missão exaustiva, desafiadora e que me tomou com o sentimento de impotência. Difícil desenvolver este lado especial.

Mas a sala das sensações me reservava muito mais. Hora de cruzar com os pés descalços por caminhos arenosos, macios, pontiagudos por causa de algumas pedras. Um caminho que por várias vezes percorri nesta minha rotina frenética e não percebi, pois não tive tempo de observar com os olhos do coração e da emoção. No final deste passeio fui convidada a entrar em uma casa e ouvir uma mensagem.

De forma breve e simples, uma voz doce me fez lembrar o quanto é fácil para esta Juliana, abrir os olhos e enxergar a beleza de um amanhecer, sentar ao lado de quem eu amo e contemplar o anoitecer. Brincar de olho no olho com os meus filhos. Falar o que tenho vontade para quem tenho vontade, correr quando preciso. Situações que fazem parte da minha rotina e que não encontro dificuldades.

A sala das sensações me trouxe para outro universo. Em 15 minutos tive a chance de viver os obstáculos de quem tem problemas de visão, dificuldades em se locomover. Consegui de uma maneira simples conhecer como é o dia a dia de quem é deficiente. Mas ao mesmo tempo em que me impressionei com a superação diária destas pessoas, fortaleci as minhas convicções. E agradeci! Não por ter os meus sentidos preservados, por ser intelectualmente capaz.

Mas agradeci por saber respeitar, entender e acima de tudo pela minha capacidade de aprender que todos nós somos especiais e diferentes. E que os obstáculos nos fazem evoluir e nos ensinam á seguir. Bom se todos pudessem percorrer e entender o que se passa na sala das sensações.

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