Serviços fechados, incêndios e manifestações marcam manhã da greve geral em SC

Atualizado

Diferentes regiões de Santa Catarina sentiram os reflexos da mobilização nacional que ocorre desde a manhã desta sexta-feira (14), contra a reforma da Previdência.

Serviços como transporte coletivo, coleta de lixo, Correios, agências bancárias e comércio não funcionaram, ou apenas parcialmente, em diferentes municípios do Estado.

Em Florianópolis, dois incêndios em pneus foram registrados por volta das 7h, na avenida da Saudade, no bairro Itacorubi, e na rua Deputado Antônio Edu Vieira, no Pantanal.

Incêndio em pneus resultou na interdição da avenida da Saudade na manhã desta sexta-feira, em Florianópolis – Tenente Thiesen/PM/Divulgação/ND

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Educação

Logo no início da manhã, por volta das 5h, estudantes se concentraram em frente às entradas da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), na Carvoeira e no Pantanal, e montaram barricadas usando lixeiras e pedaços de madeira. O carro de um professor da universidade, que estava estacionado em frente a uma entrada, foi arranhado.

Estudante de doutorado em Economia, Adriano Maia aguardava a liberação do portão para poder entrar no prédio e assistir à última aula do semestre.

“Estou esperando meu professor responder. Essa é a última aula do semestre é e muito importante. À tarde, tenho um outro compromisso com um professor que veio dos Estados Unidos e espero que consiga entrar também”.

Estudantes fizeram uma barricada na UFSC – Caroline Borges/ND

A Udesc (Universidade do Estado de Santa Catarina) também foi bloqueada por manifestantes que impediram a entrada de funcionários, alunos e professores.

Salete Bortolin, cozinheira da Udesc, relatou que pessoas da redondeza costumam almoçar na universidade.

“Chegamos cedo para trabalhar e está tudo fechado. Ninguém entra. Nem sequer para armazenar os alimentos que precisam de refrigeração”, disse.

Em Florianópolis, a EBM Antônio Paschoal Apóstolo, EBM Costa de Dentro, EBM Lupércio Belarmino da Silva e EBM Marcolino José de Lima funcionaram normlamente. A EBM Adotiva Liberato Valentim, EBM Batista Pereira, EBM João Alfredo Rohr, EBM João Gonçalves Pinheiro, EBM José Jacinto Cardoso, EBM Maria Tomázia Coelho e EBM Osvaldo Galupo, funcionaram parcialmente.

A prefeitura informou que 15 escolas estavam sem atendimentos, mas não divulgou quais.

A Neim (Núcleo de Educação Infantil Municipal) Costa de Dentro, em Florianópolis, funcionou normalmente. Durante a manhã, 19 Neims funcionaram parcialmente e 25 estavam sem atendimento. Não houve relatos de escolas fechadas em outras regiões do Estado.

O IEE (Instituto Estadual de Educação) e o IFSC (Instituto Federal de Santa Catarina) também não abriram as portas.

Transporte Coletivo

A cidade de Blumenau amanheceu sem transporte coletivo. Motoristas e cobradores iniciaram a paralisação às 3h30 e retornaram ao trabalho às 7h. Em Itajaí, Chapecó e Criciúma, o transporte coletivo não foi alterado.

Em Florianópolis, os trabalhadores da categoria aderiram à paralisação. O Ticen (Terminal de Integração do Centro), principal terminal urbano da cidade, amanheceu sem o movimento dos dias normais.

Transporte coletivo de Blumenau paralisou as atividades na manhã desta sexta-feira – Danúbia de Souza/RICTV

Trânsito

A paralisação do transporte coletivo causou transtornos no trânsito da Grande Florianópolis. Moradora do bairro Kobrasol, em São José, Claudia Ferreira precisou andar até a Beira-Mar para esperar uma carona.

“Complica um pouco essa greve, né. Eu trabalho no centro e vou ter que voltar de carona também”.

Antes mesmo das 7h30, o trânsito já estava complicado nos locais que dão acesso à ponte Pedro Ivo, em Florianópolis. Por conta da paralisação do transporte coletivo e a não existência de veículos emergenciais, muitos moradores tiraram os veículos da garagem.

Na SC-401, no Norte da Ilha, houve lentidão no sentido bairro-Centro. No início da manhã, manifestantes colocaram barricadas e bloquearam temporariamente o tráfego de veículos na avenida da Saudade, o que provocou congestionamento no início da rodovia.

SC-401 registrou trânsito no sentido bairro-Centro – Osvaldo Sagaz/RICTV

A PMRv (Polícia Militar Rodoviária) divulgou, por volta das 8h, o relatório parcial das rodovias do Sul da Ilha. Segundo o que foi informado, a SC-401 Sul, a SC-405, a SC-406 e a SC-401 no sentido aeroporto, estavam sem alteração.

Por volta das 9h30, a BR-116 foi fechada por manifestantes, em ambos os sentidos, próximo ao trevo Patussi, em São Cristovão do Sul, na região Serrana de Santa Catarina. A rodovia foi liberada às 10h45.

Saúde

A secretaria de Saúde de Florianópolis informou que das 49 unidades de saúde, 13 não estavam funcionando durante a manhã. Ficaram sem atendimento os postos da Prainha, Saco Grande, Santinho, Carianos, Costa da Lagoa, Cachoeira do Bom Jesus, Canto da Lagoa, Novo Continente, Ratones, Armação, Ponta das Canas, Jurerê e Centro. As UPAs Sul e Norte atendiam apenas casos de urgência.

No Continente, o posto de Saúde do Estreito funcionou parcialmente. Segundo a coordenação, duas enfermeiras e o setor administrativo não aderiram à paralisação. No entanto, o atendimento ao público estava prejudicado.

Na região continental de Florianópolis, o posto de Saúde do Estreito funcionou parcialmente. Duas enfermeiras e o setor administrativo não aderiram à paralisação. – Caroline Borges/ND

Serviços

As agências bancárias do Centro da Capital aderiram à greve e permaneceram fechadas durante toda a manhã. Os Correios funcionaram parcialmente. A Biblioteca da UFSC também ficou fechada pela manhã.

Sem coleta por causa da adesão da Comcap à greve, o lixo se acumulou nas ruas do Centro de Florianópolis. O Pró Cidadão funcionou normalmente, de acordo com a prefeitura.

Em Itajaí, bancários e comerciantes não aderiram à paralisação. Os serviços de Criciúma também não foram afetados. Em Joinville, o transporte público e coleta de lixo funcionaram normalmente.

Lixo no Centro de Florianópolis – Caroline Borges/ND

A rua Felipe Schmidt, uma das mais movimentadas do Centro de Florianópolis, esteve com pouco movimento na manhã desta sexta-feira. Algumas lojas ficaram fechadas.

Funcionários relataram que demoraram o dobro do tempo para chegar ao trabalho. A vendedora Rose Caetano, que trabalha no Centro da Capital, relatou que demorou o dobro do tempo para chegar ao trabalho hoje.

“Alguns funcionários vieram de carona. De carro, a demora foi de duas horas para se deslocar de São José até o Centro”, disse a vendedora.

Manifestação

Em Joinville, manifestantes se concentraram na praça da Bandeira, no Centro. O movimento contou com o apoio de servidores do município, que realizaram uma assembleia nesta manhã. Cerca de 1.600 servidores não compareceram ao trabalho nesta sexta-feira.

A manifestação na região de Rio do Sul contou com cerca de 50 pessoas. Em Blumenau, houve uma manifestação que iniciou por volta das 10h, em frente ao Teatro Carlos Gomes, no Centro da cidade. Servidores estaduais não aderiram a manifestação.

Em Criciúma, manifestantes caminharam com bandeiras e faixas pela avenida Centenário, principal via da cidade. Por volta das 9h, houve concentração na Praça da Chaminé, no Centro do município.

Segundo os organizadores, cerca de 1500 pessoas participaram da manifestação em Chapecó – Felipe Kreusch/RICTV

Representantes sindicais de Chapecó discursaram em cima de um caminhão de som, em frente à Catedral. Houve também um abaixo-assinado contra a reforma da Previdência. Cerca de 1.500 participaram das manifestações.

Na UFSC, em Florianópolis, os estudantes se concentraram em frente às entradas e dentro do antigo prédio da reitoria. No Centro da Capital, também houve registro de manifestantes. No final da manhã, a expectativa era que eles se deslocassem até a Alesc (Assembleia do Estado de Santa Catarina).

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