Setor empresarial e poder público de Blumenau divergem sobre corte de salários

Atualizado

Redução de salários no poder Executivo e Legislativo. Uma bandeira defendida e já anunciada por vários municípios do Vale do Itajaí está causando divergências entre a classe política e o empresariado de Blumenau.

De um lado o poder público, Executivo e Legislativo defendem que já estão criando alternativas para combater a pandemia da Covid-19.

Entre elas, a criação de um Fundo Municipal para o Enfrentamento do Coronavírus. Neste fundo, a prefeitura já aplicou, de imediato, R$ 1,5 milhão, e a Câmara mais R$ 1 milhão.

Prefeito de Blumenau, Mário Hildrebrandt ainda não sinalizou sobre corte de salários dos agentes públicos. Foto: Eraldo Schnaider/Divulgação

Por outro lado, o presidente da Acib (Associação Empresarial de Blumenau), Avelino Lombardi, defende um corte acima de 25% nos salários dos agentes políticos de todas as esferas.

“Tem que reduzir também a verba de representação, a quantidade de pessoas que trabalham nos gabinetes no Congresso Nacional. É preciso acabar com este poder que o Brasil estabeleceu de salários para os Poderes. Não dá para carregar o Estado do tamanho que está”, diz.

Avelino vai além. Diz que uma das medidas para aumentar os recursos para a saúde pública pode vir do valor investido nas eleições municipais de outubro deste ano. Em nome do setor empresarial, ele defende a transferência das eleições de 2020 para 2022. “Vamos concentrar os gastos deste ano somente para a pandemia”, sugere.

Ao ser questionado pela reportagem da nd+, o presidente da Câmara de Vereadores, Marcelo Lanzarin, demonstrou nervosismo ao abordar o assunto.

Lanzarin preferiu não falar de possíveis ações futuras. Limitou-se a dizer o que já foi feito, como a transferência imediata de R$ 1 milhão para o Fundo de Enfrentamento ao Coronavírus e a transferência mensal que será feita daqui para frente oriunda do duodécimo. Ao final do ano o valor deve chegar a R$ 7 milhões.

O prefeito Mário Hildebrandt foi procurado pela reportagem para se manifestar. Até as 16h30min desta terça-feira (07) não tinha respondido. Porém, nas redes sociais, tem dito que se for preciso vai tomar esta medida, sem mencionar percentual ou valores.

OAB estadual também se manifesta

A reportagem também procurou a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) local, que sugeriu que o presidente estadual da entidade, Rafael Horn, falasse sobre o assunto. Ele também preferiu não comentar sobre possível corte de salários.

Falou, entretanto, em outra possibilidade. “Não é possível tratar de qualquer proposta que busque simplesmente reduzir os vencimentos. É possível, sim, uma campanha de solidariedade, no sentido de contribuir com recursos para a saúde pública brasileira”, disse.

Pesquisa do Grupo ND

Uma pesquisa contratada pelo Grupo ND e realizada pelo Instituto Mapa apontou que 53,8% da população do Vale do Itajaí é a favor da abertura das atividades econômicas, porém com a adoção de critérios e cuidados apontados pelas autoridades da área da saúde.

O Instituto Mapa ouviu, por telefone, 1.600 pessoas em 55 municípios de Santa Catarina. A pesquisa foi feita no dia 2 de abril de 2020. Dos entrevistados, 409 são do Vale do Itajaí (ou seja, 25% do total). A margem de erro é de 2,45 pontos percentuais para mais ou para menos.

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