“Só quero justiça”, diz mãe de ciclista morta na SC-401, em janeiro

Motorista que atropelou e matou Simoni Bridi ainda não foi identificado

“Só quero justiça, não quero dinheiro, nada”, pediu Arlete Bridi, mãe de Simoni, ciclista morta em janeiro na SC-401, em Canasvieiras. Arlete não conseguiu conter as lágrimas. Com outros membros da família, ela levantou a bicicleta fantasma instalada neste domingo (14), na SC-401, no local onde ocorreu o acidente. Aproximadamente 60 ciclistas percorreram 20km, partindo da Beira-Mar Norte até o local do acidente, que tirou a vida de Simoni, na entrada do bairro.  Durante o ato, os ciclistas e a família reunida pediram mais segurança ao governo para tragédias como esta não ocorram mais.

Flávio Tin/ND

A mãe de Simoni, Arlete Bridi (2ª da dir. para a esq.) ajudou a pendurar a bicicleta fantasma na SC-401

O grupo foi escoltado pela Polícia Militar Rodoviária. Após a instalação da bicicleta fantasma, o grupo fez um círculo e queimou sete bicicletas de papelão na estrada, que representavam os últimos ciclistas mortos em Florianópolis. “É um recado final de que não temos mais condições de trafegar nessas ciclofaixas. Estamos no limite. Não me sinto a vontade de estar aqui colocando mais uma bicicleta fantasma, mas precisamos continuar lutando”, afirmou o ciclista Sergio Fregolão.

:: Morte de ciclista em Florianópolis é a sétima na SC-401 nos últimos anos

Os nomes dos ciclistas mortos também estavam nos cartazes, assim como o pedido de apoio do governo e frases como “Não foi acidente”. Para o ciclista e presidente da Viaciclo, Daniel Araújo, é preciso mais fiscalização para punir os motoristas que dirigem embriagados. “É a 12ª bicicleta fantasma que colocamos e nenhum providencia foi tomada.É preciso punir os infratores, porque só quando dói no bolso, as pessoas repensam suas atitudes. Estamos aqui colocando mais uma bicicleta com a esperança que isso não se repita. Nos choca. Não aguentamos mais isso.”, lamentou.

Família luta por justiça

“Se ele assumisse o erro, eu me conformaria, mas ele sequer prestou socorro”, lamenta a mãe de Simoni. Arlete agradeceu aos ciclistas pela homenagem e afirmou que continuará lutando por justiça, já que o motorista que matou a filha ainda não foi identificado. “Para nós é uma homenagem, mas também uma esperança para que Deus ajude que outros casos como estes não ocorram”, disse. Para o irmão gêmeo da ciclista, Sidnei Bridi, 28, o uso da bicicleta está descartado na família. “Ninguém respeita. Agora temos medo de andar de bicicleta. A Simoni procurou um meio de transporte alternativo porque não tinha horário de ônibus de madrugada”, contou.

A bicicleta fantasma ou também conhecida como “ghost bike” é uma ação global que chama a atenção para as mortes de ciclistas por veículos motorizados. Pelo menos 12 delas estão espalhadas por Florianópolis, mais da metade na SC-401. Em seu projeto original de duplicação, a rodovia já previa espaço para os ciclistas, mas nunca foi efetivamente implantado. Nos pontos com ciclofaixa de 1,5 metro, o acostamento encolhe, ficando também com 1,5 metro.

Relembre o caso

Simoni Bridi morreu por volta da 1h do dia 24 de janeiro, no acostamento do km 18 da SC-401, próximo à entrada de Canasvieiras, Norte da Ilha. No momento do acidente, ela voltava do restaurante onde trabalhava como auxiliar de cozinha. Natural de Pouso Redondo, no Alto Vale do Itajaí, Simoni era mãe de dois filhos, de 10 e 2 anos, e morava no Morro do Mosquito, na Vargem do Bom Jesus. O motorista do carro que a atropelou fugiu sem prestar socorro.

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