Soluções de saneamento são discutidas em congresso em Florianópolis

A tarefa parece simples: canalizar o esgoto, transportar até uma estação de tratamento e devolvê-lo à natureza com o mínimo de impurezas. O conceito é básico, e foi reconhecido pela ONU (Organização das Nações Unidas) em 2016 como direito humano.

Na prática, a missão de garantir abastecimento de água, tratamento de esgoto e manejo dos resíduos sólidos esbarra em uma série de dilemas que vão desde estruturas ultrapassadas de cidades, condicionantes ambientais, falta de consenso sobre qual modelo adotar e morosidade nos processos. Mas a verdade é que o saneamento básico, sobretudo na América Latina, é uma solução para ontem.

“No século 21 não podemos mais se falar em desperdício de efluentes. Essa é uma situação que não podemos mais admitir”, alertou George Tchobanoglous, diante de uma plateia lotada de estudantes, profissionais de engenharia sanitária, ambientalistas e autoridades políticas, na principal plenária do primeiro Congresso de Saneamento de Florianópolis, nesta quinta (31) e sexta-feira, dia 1º, no Centro de Eventos Luiz Henrique da Silveira, em Canasvieiras.

1º Congresso de Saneamento de Florianópolis foi aberto nesta quinta-feira - Daniel Queiroz/ND
1º Congresso de Saneamento de Florianópolis foi aberto nesta quinta-feira – Daniel Queiroz/ND

Organizado pela Casan (Companhia de Águas e Saneamento de Santa Catarina) e Senge (Sindicato dos Engenheiros de Santa Catarina), o evento traz a Florianópolis novas tecnologias e projetos na área de tratamento de água e esgoto, gestão de recursos hídricos e do meio ambiente, entre outros assuntos ligados ao tema.

>>Veja programação completa

O primeiro dia de congresso discutiu temas ligados à balneabilidade e avaliou a situação e interferências humanas nos aquíferos Guarani e dos Ingleses. O Conselho Municipal de Saneamento Básico realizou sessão aberta ao público onde apresentou as diretrizes dos trabalhos de controle voltados para o tema. Durante a sessão foi debatida a possibilidade de reverter 1% da arrecadação com o sistema de saneamento de Florianópolis para a educação ambiental e como deve ser o planejamento para construção do Plano Municipal de Resíduos Sólidos.

George Tchobanoglous, da Universidade da Califórnia, em Davis, encerrou o primeiro dia provocando os presentes: “Por que não podemos filtrar os efluentes, com soluções simples, antes de fato iniciar o tratamento biológico?”, questionou apresentando as soluções que já são implantadas com filtros de pano e polímeros em diversas partes do mundo. “Estamos em um momento da história em que podemos mudar o modelo como tratamos o esgoto, e isso é revolucionário”, finalizou.

Meta em SC é ampliar atendimento e subir no ranking

Entrevista Valter Galina, presidente da Casan

ND: Florianópolis viveu há dois anos, aqui mesmo em Canasvieiras, o despejo de esgoto in natura no Rio do Brás. O que mudou de lá pra cá?

Galina: Solucionamos um problema de um rio que estava poluído há 40 anos. Hoje o Rio do Brás está sendo recuperado e servindo de exemplo. Agora, o que tem que se regularizar são as ligações clandestinas que ainda existem.

ND: Florianópolis tem pouco mais de 50% de cobertura de esgoto. A balneabilidade das praias interfere diretamente na economia da cidade. O que tem sido feito nesse sentido?

Estamos investindo R$ 85 milhões na construção da ETE Ingleses Santinho. Também está em fase de licitação o tratamento de Sambaqui, Santo Antônio de Lisboa, João Paulo, Monte Verde e Saco Grande. E também estamos brigando para conseguir o licenciamento no Sul da Ilha.

ND: Qual é a principal meta desta gestão para o saneamento?

Temos R$ 2,1 bilhões disponíveis e é só por isso que conseguimos passar de 24º posição no ranking nacional para 13º, agora em 2017. Em 2018 queremos fechar o ano como o quinto melhor estado em saneamento.

 Temas

– Floripa Se Liga Na Rede

– Gestão dos serviços de água e esgoto

– Interação pessoa-ambiente

– Urbanização

– Emissários Submarinos

Agende-se

O quê: Congresso Catarinense de Saneamento / 8° Encontro Técnico da CASAN
Quando: 31 de agosto e 1° de setembro, a partir das 8h
Onde: Centro de Eventos Luiz Henrique da Silveira, em Canasvieiras, Florianópolis
Quanto: Entrada na feira é gratuita. Ingressos para palestras por R$ 300 ou R$ 100, no lote universitário. Inscrições até dia 30 de agosto, às 13h.  
Programação: www.concasan2017.com.br

Mais conteúdo sobre

Cidade