Somos apenas números?

Elisandro Lotin de Souza

Diretor de Relações Públicas da Associação de Praças de Santa Catarina

elisandrolotinsouza@gmail.com

Divulgação/ND

Os números orientam a vida, tudo gira em torno deles: a idade, as horas, os preços, o salário, a prestação. Do dia em que nascemos, até o dia em que morremos, somos movidos por estes símbolos que dão a referência para sistematizar e disciplinar a busca pela qualidade de vida. Para alguns, os números são frios, não significam nada, exceto para justificar retórica e demagogicamente algo. Este é o caso das autoridades do país e do Estado.

Este texto, falando de números e de governo, surge a partir de mais um caso de suicídio na PMSC, situação que para as autoridades não passará de mais um número, diferentemente daqueles que, a despeito de saberem que os números são nossa baliza, avaliam o ato sob outra perspectiva, qual seja, a de um ser humano. Algo de errado está acontecendo, pois a este suicídio, se somam outros oito que ocorreram em 2015, e nada está sendo feito para entender e resolver o problema. Tudo o que as autoridades (eleitas ou não) fazem é ignorar e agravar a situação, “jogando” o fato para as estatísticas frias do mórbido descaso do número.

O índice de suicídio nas polícias do Brasil é dos mais altos do mundo conforme pesquisas recentes do FBSP. Um policial tem 7,2 vezes mais chance de tirar a vida do que outra pessoa, e absolutamente nada se faz no sentido de buscar solução para este número, pois o tema é irresponsavelmente ignorado e escondido por gestores e autoridades, que enxergam só um número e/ou uma fraqueza do “super-herói” da sociedade. Super-herói? Que mito é este? Desconstrua isso. Super-heróis não existem. Policiais são pessoas. Pesquisa revela que 30% deles são afetados por sofrimentos psíquicos de toda a ordem por conta da profissão.

E a resposta das autoridades sobre isso e a escalada da violência, num quadro em que temos o 4º pior efetivo policial do país é um número, determinado pela Lei de Responsabilidade Fiscal, de validade seletiva como atestam os R$ 50 milhões gastos com auxílio-moradia de uma casta de funcionários públicos; os R$ 5,5 bilhões de isenção fiscal dados a empresários “amigos do rei”; os R$ 4 milhões pagos a ex-governadores ou suas viúvas; os R$ 500 milhões da ponte Hercílio Luz; os R$ 420 milhões das SDRs. E, no final, tudo se resume em um número: o dos votos nas urnas, ganhos com o número de desinformados e iludidos pelos números manipulados. Em Santa Catarina, apenas algumas pessoas estão em 1º lugar.

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