SOS no hospital Celso Ramos com higiene longe do ideal e índice de infecção de 14,5%

Reportagem do Notícias do Dia flagrou situações em desacordo com as normas estabelecidas pela Anvisa

Aline Torres/ND

Flagrantes. Roupas de cama foram recolhidas e colocadas dentro de um carrinho de supermercado, e roupa suja dos pacientes estavam sobre sacos de lixo pelos corredores do hospital 

Pelos corredores do hospital Governador Celso Ramos, sacos de lixo e lençóis sujos de sangue, empilhados e expostos por horas, demonstram a fragilidade das condições sanitárias, com risco de infecção biológica. Durante quatro horas e meia circulando pelos 11 pavimentos, a reportagem do jornal Notícias do Dia flagrou situações em desacordo com as normas estabelecidas pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). O MPE (Ministério Público Estadual) averigua as condições sanitárias do hospital.

O transporte também não obedece ao padrão nacional de saúde. Um elevador apenas conduzia visitantes, pacientes – inclusive em macas -, lixo, materiais de limpeza e alimentação. As roupas de cama estavam sendo recolhidas dentro de carrinhos de supermercado. Em caixas de papelão, com resíduos, estavam guardadas as roupas dos funcionários. Entulhos de obras, com restos de madeira e ferro enferrujado estavam próximo às alas de atendimentos.

A taxa de infecção hospitalar do Celso Ramos é de 14,5%. Esse índice está de acordo com a média nacional, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde). No entanto, quando comparado ao Hospital Infantil Joana de Gusmão, que tem o mesmo número de leitos, atende um número maior de pessoas, e tem menos funcionários, torna-se alto. No Joana de Gusmão, a taxa de infecção é de 3,5%. São 11 pontos percentuais, mas que representam mais de 300% de aumento na taxa de infencção hospitalar, na comparação com o Infantil.

O MPE entrou com uma ação civil pública, em 2008, após denúncias sobre irregularidades sanitárias no hospital. Não há prazo para a decisão da Justiça.

Secretaria da Saúde irá apurar denúncias e tomar as providências

O hospital Governador Celso Ramos, também conhecido como dos servidores públicos, produz 13,5 mil quilos de lixo por mês. Com exceção do 8º andar, as outras 10 alas têm resíduo biológico, que provoca risco de contaminação.

A Secretaria de Estado da Saúde explicou que nos dias que a reportagem do ND visitou as unidades – quinta-feira (das 8h às 11h) e sexta-feira (das 10h30 às 12h) – a instituição estava com problemas técnicos, devido a falhas de manutenção no elevador. Por isso, o transporte foi feito em conjunto e o lixo não foi retirado imediatamente.

Quanto aos entulhos, Fernando Luz, chefe de Gabinete da Saúde do Estado, garantiu que serão retirados imediatamente. “O hospital sempre está em obras para se adequar às normas da Anvisa”, disse.

Luz salientou que os trabalhos de higiene são realizados por pessoas, “por isso tem falhas” e que uma investigação será feita para apurar as denúncias. “Tomaremos as medidas necessária para nos aproximarmos de uma excelência”, informou. Ele contou que há uma ouvidoria na instituição e que são feitos relatórios mensais sobre o manejo do lixo e controle das infecções.

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