Sucata da ponte Hercílio Luz será reaproveitada em 532 novas estruturas

Atualizado

As peças retiradas da ponte Hercílio Luz e da estrutura provisória, feita para viabilizar a restauração, e que terão como destino o interior do Estado já estão sendo soldadas na Capital. O corte começou na semana passada. O que era sucata vai se transformar em 532 pequenas pontes por todo o Estado.

Material que viraria sucata está sendo reaproveitado para a construção de novas estruturas – Foto: Eduardo Cristofoli/ND

Elas irão substituir velhos pontilhões e bueiros que hoje estão em situação precária. De acordo com o secretário da Defesa Civil Estadual, João Batista Cordeiro, o reaproveitamento desse material vai gerar quase R$ 35 milhões em economia para os cofres do Estado.

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“Inicialmente estas peças iriam para leilão. Decidimos reaproveitá-las. Essas pontes aqui vão custar R$ 10 mil. Nós pagamos em média R$ 75 mil por um kit de transposição. Então, a economia vai ser de R$ 65 mil por ponte, e de um material que seria sucata”, destaca o secretário.

Fernanda Patrícia de Oliveira e João Batista Cordeiro, da Defesa Civil, com uma das placas que serão instaladas
nas pontes

Mil toneladas

Até agora foram retiradas da ponte Hercílio Luz em torno de 380 toneladas de aço. E tem mais mil toneladas para desmontar das treliças e torres montadas abaixo do vão central. A estrutura foi feita para sustentar a ponte durante a substituição das barras de olhal. No dia 27 de agosto foi concluída a transferência de carga e a ponte voltou ser sustentada pelas barras de olhal.

A empresa que venceu a licitação para reaproveitar as peças retiradas da ponte é a Teixeira Duarte, mesma empreiteira que está reformando a Hercílio Luz. Ela tem até março para desmontar toda a estrutura e até agosto de 2020 para entregar as 532 pequenas pontes.

É uma montanha de aço, mas ainda não o suficiente para atender toda a demanda. A Defesa Civil já recebeu 650 pedidos de 150 municípios.

A ideia é entregar ao menos uma ponte para cada um dos municípios na lista. Segundo o secretário, a prioridade será substituir as pontes em situação precária. As de madeira estarão no topo da lista.

Também será analisado se o município tem ou não a Defesa Civil instituída. E haverá também uma atenção especial para evitar o estrangulamento dos rios. “As cabeceiras não podem adentrar o leito dos rios. A ponte não pode estar abaixo da cota de inundação. Tudo isso vai ser criteriosamente analisado na hora de definir os locais beneficiados pelo projeto,” explica Cordeiro.

Peças conservadas

As peças retiradas da ponte Hercílio Luz, que têm quase 100 anos, estão mais conservadas que o aço usado nas inúmeras reformas. A constatação é de operários que trabalham na Hercílio Luz, mas que preferem não se identificar. Um deles explicou que o grau de corrosão era muito maior nas peças brasileiras do que nas originais, vindas dos Estados Unidos.

Tudo foi minuciosamente vistoriado e, diante que qualquer fragilidade, a peça foi substituída. O contorno ainda é o mesmo, a ponte não mais. Mais da metade da estrutura da rejuvenecida “senhora” não é mais aquela da inauguração em 1926.

O que está sendo reaproveitado está em excelente qualidade, garante a coordenadora do projeto e gerente de reestabelecimento e recosntrução da Defesa Civil, Fernanda Patrícia de Oliveira. Ela explica que as vigas de aço reaproveitadas estão sendo cortadas em três tamanhos, de quatro, cinco e seis metros. Este vai ser o tamanho das pontes. “Depois de cortarmos e soldarmos, vamos passar um isolante que vai garantir que estas estruturas durem mais 200 anos”, afirma.

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