Superbactéria mata quatro pacientes no Hospital Governador Celso Ramos, em Florianópolis

Apesar da gravidade da infecção, ela não faz mal a pessoas saudáveis que tenham contato com os pacientes

Quatro mortes foram registradas até o momento no Hospital Governador Celso Ramos, no Centro de Florianópolis, motivadas por uma bactéria que, popularmente, está sendo chamada de “superbactéria”. O primeiro paciente registrado no hospital com a infecção aconteceu em 15 de dezembro do ano passado. Desde então são 15 doentes internados que apresentam a bactéria. Apesar da gravidade, a comunidade médica confirma que não há com o que se preocupar, visto que a bactéria só atinge gravemente pessoas debilitadas.

O nome científico da superbactéria é KPC (Klebsiella Pneumonia Carbapemase). “A bactéria se torna mais agressiva quando ela chega ao sangue, nesses casos, a infecção causa a morte em 70% dos casos”, explicou o professor do curso de medicina da Unisul e chefe do serviço de controle de infecção do hospital Governador Celso Ramos, Valter Araújo. Em fase inicial, a KPC se instala no intestino.  “Dos quatro casos de morte confirmada, dois deles aconteceram por infecção e os outros dois por colonização da KPC”, completou a coordenadora do Estado de controle de infecções, Ida Zaz.

Em todos os casos de morte confirmada com KPC, tratava-se de pessoas idosas com doenças severas, como câncer. “O primeiro paciente a apresentar a bactéria veio de fora do Estado, pode ser que isso tenha motivado a contaminação”, observou Araújo, lembrando que 100% dos doentes infectados também haviam passado por cirurgias recentemente. “Isso faz com que se redobre o cuidado nos centros cirúrgicos, para controlar a contaminação”, reforçou o médico.

Uso indiscriminado de antibióticos pode promover a bactéria

O primeiro caso de KPC (Klebsiella Pneumonia Carbapemase) surgiu há 10 anos nos Estados Unidos. Desde então, a superbactéria tem se transformado e passado por todo o mundo. Restrita aos ambientes hospitalares, a KPC é resistente aos antibióticos conhecidos. Por esse motivo, farmacêuticos pesquisam outros remédios mais fortes para dominar a superbactéria. “O uso indiscriminado de antibióticos pelas pessoas faz com que esse tipo de bactéria fique ainda mais forte, porque ela faz mutações para poder sobreviver”, explicou o professor do curso de medicina da Unisul e chefe do serviço de controle de infecção do hospital Governador Celso Ramos, Valter Araújo.

De acordo com a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) foram confirmados 135 casos de pacientes com KPC no Brasil desde 2010. Como não há como controlar a aparição da superbactéria, por isso, os órgãos de saúde têm exigido cuidados de higiene redobrados em hospitais e ambulatórios. “Ela pode aparecer agora e só voltar em um ano. Não há como prever”, destacou a coordenadora do Estado de controle de infecções, Ida Zaz.

Familiares estão protegidos

Apesar de ser grave e colaborar no processo infeccioso do paciente em estado grave, os familiares não precisam permanecer longe do doente. “É necessário ter cuidados extras, como lavar bem as mãos e evitar contato com a pele da pessoa infectada”, lembrou Ida. Profissionais da saúde, como médicos e enfermeiros também não correm riscos. “A bactéria pode até se instalar, mas se a pessoa está saudável, não há problema algum. A KPC permanece algum tempo e depois é eliminada naturalmente”, completou Araújo.

Participe do grupo e receba as principais notícias
da Grande Florianópolis na palma da sua mão.

Entre no grupo Ao entrar você está ciente e de acordo com os
termos de uso e privacidade do WhatsApp.
+

Notícias

Loading...