Suspeito de matar família em Alfredo Wagner é indiciado por triplo homicídio

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Unidos pela atividade agrícola, moradores de Alfredo Wagner, na Grande Florianópolis, contam que a família argentina assassinada na última sexta-feira (9) mantinha relação de amizade com o homem apontado pela polícia como o responsável pelo crime. Arno Cabral Filho que vendia insumos agrícolas foi indiciado nesta quarta-feira (14) por triplo-homicídio com as qualificadoras de motivo fútil, violência contra criança e idoso e por dificultar a defesa das vítimas.

O crime, segundo o agente de polícia Vanderlei Kanopf, teria sido motivada por uma dívida de R$ 60 mil. Conforme a apuração da polícia, a família quitou uma dívida com o acusado, mas pagou mais do que devia. Arno Cabral Filho, por sua vez, teria ficado devendo o valor referente a 20 vacas.

As vítimas da chacina são Loraci Matthes, 50 anos, o filho Mateo Tuneu, 8 anos, e o marido Carlos Alberto Tuneu, 67 anos. A mulher e a criança foram assassinados com uma barra de ferro. Carlo, mais conhecido como ‘Argentino’ pela sua nacionalidade, foi morto a tiros.

Na foto, Loraci Matthes, 50 anos, o filho Mateo Tuneu, 8 anos, e Carlos Alberto Tuneu, 67 anos – Reprodução/Arquivo Pessoal/ND

Família morava há cinco anos no município

A família Tuneu mudou-se para Alfredo Wagner em 2014. Apesar de não conhecer muito bem a cidade de pouco mais de 6,5 mil habitantes, logo tornaram-se amigos dos moradores. Com o passar do tempo, os Tuneu transformaram a casa em uma pousada e começaram a trabalhar com a venda de madeira.

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Carlos era conhecido pelo passatempo de montar trens e rodovias de brinquedo. Ele também cultivava orgânicos e criava gado. Foi a atividade agrícola que aproximou a família de Carlos ao algoz que era dono de agropecuária.

O indiciado era amplamente conhecido na região. Antes de atuar no comércio, tinha trabalhado na prefeitura como técnico agropecuário. “O crime nos pegou de surpresa, os morados estão aterrorizados”, contou um morador que preferiu não se identificar.

Relembre o caso

Segundo a polícia, o indiciado foi até a casa da família na noite de quinta-feira (08) e ameaçou a família com uma arma. Ele havia registrado boletim de ocorrência por ameaça contra Tuneu que supostamente o teria ameaçado por conta da dívida.

O crime ocorreu no dia seguinte, quando o suspeito voltou à casa e discutiu com Loraci Mathes. Ele teria retornado ao sítio na tentativa de eliminar papéis assinados na noite anterior – em que reconhecia a dívida com a família.

A polícia acredita que pode ter havia resistência da mulher para entregar os documentos, o que teria motivado a primeira morte. A criança pode ter sido morta por ter testemunhado o crime.

Arno Cabral se deparou com Tuneu quando saía da casa e cometeu o terceiro assassinato.

Contraponto

Os advogados Diego Rossi Moretti e Jonas de Oliveira, que assumiram a defesa do indiciado, questionam a velocidade com que foi concluída a investigação. Segundo os defensores, Arno Cabral Filho nega as acusações. Moretti e Oliveira pretendem protocolar pedido de liberdade na próxima semana. Eles se manifestaram por meio de nota. Confira:

A defesa até então não tinha acesso ao inquérito, entretanto, ficamos surpreendido com a velocidade que fora concluído um inquérito de tamanha envergadura. Estamos analisando a denúncia e o inquérito. Buscaremos a verdade real dos fatos para que seja aplicada a mais clara justiça ao nosso cliente.

Salientamos que, ao contrário do que vem sendo veiculado, Arno sempre negou os fatos. Lamentamos que a investigação tenha divulgado informação divergente da realidade e que tem gerado transtorno inenarrável ao acusado e toda sua família. Acreditamos na inocência de nosso cliente, e esperamos que tudo se esclarece o mais breve possível e que a real justiça seja feita.

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