Técnicos do Ministério da Pesca aproveitam fim de safra da tainha para avaliar redes anilhadas

Confirmado mais um fracasso no mar, a última quinzena da safra da tainha no litoral catarinense servirá para provável redefinição das regras a partir de 2015. A pedido da Fecesc (Federação dos Pescadores de Santa Catarina), dois técnicos do Ministério da Pesca, Sandra Souza e Josuel Neto, vieram observar de perto o funcionamento das redes de caça de malha (emalhe) anilhadas, para cerco de cardumes dentro dos limites de cinco milhas (9.250 metros) da costa – a 800 metros da praia e a 50 metros dos costões.

Eduardo Valente/ND

Pescadores da Armação do Pântano do Sul utilizaram emalhe no começo da temporada, quando o artefato foi liberado provisoriamente

O objetivo da visita é avaliar os métodos dos pescadores catarinenses e os impactos ambientais e sociais do uso indiscriminado das redes anilhadas. “Vamos mostrar que se trata de apetrecho indispensável à preservação da pesca artesanal, sem efeitos predatórios sobre os cardumes”, explica o presidente da Fecesc, Ivo Silva.

Os representantes do Ministério da pesca ficarão até domingo em Santa Catarina. O primeiro roteiro incluiu Garopaba e Laguna, no litoral Sul, e ontem eles foram às praias do Pântano do Sul, Armação e no canal da Barra da Lagoa, onde se concentra o maior número de botes equipados com redes anilhadas. Hoje e amanhã completarão as observações na Lagoinha, em Ponta das Canas e Ingleses.

O relatório dos técnicos do Ministério da Pesca será apresentado na próxima reunião do GTT (Grupo Técnico da Tainha), em data ainda não confirmada, em Brasília, para prováveis alterações na portaria interministerial 171/2008, que regulamenta a safra durante o período de desova da espécie. Participam das discussões representantes dos ministérios da Pesca e do Meio Ambiente, dos pescadores artesanais e da indústria pesqueira.

“Precisamos readequar a legislação e criar novas regras, de acordo com as novas tecnologias usadas para salvaguardar a pesca familiar. Não podemos passar o mesmo sufoco deste ano”, argumenta Ivo.

Produção fica abaixo do esperado

As redes anilhadas içadas por guinchos mecânicos fixados no convés dos botes, segundo Ivo Silva, é a única forma de garantir produtividade ao setor artesanal. “Sem elas, os pescadores mais velhos não têm força nem agilidade para fazerem o cerco e puxarem os cardumes capturados aos barcos”, explica.

Liberadas no início da safra por liminar da Justiça Federal e proibidas mais tarde pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente) as redes com anilhas, garantiram praticamente a totalidade das 1.300 toneladas capturadas desde 15 de maio.

A expectativa inicial para o setor artesanal, segundo a Fecesc, era de 1.800 toneladas, quantidade que, apesar dos pequenos lances registrados nesta semana, não será mais alcançada até o encerramento oficial da temporada, em 30 de julho. Entre as redes de arrasto de praia, levadas ao mar nas tradicionais canoas de um pau só, a remo, a cooperativa de pesca da praia da Lagoinha, em Ponta das Canas, foi a quem mais peixes capturou – cerca de 20 mil unidades, ou seja, cerca de 60 toneladas.

Corrida da Tainha

Declínio da safra 

2006- 1.124 toneladas

2007 – 2.192 toneladas

2008- 923 toneladas

2009 – 1.198 toneladas

2010 – 780 toneladas

2011 – 617 – toneladas

2012 – 420 toneladas

2013 – 1.240 toneladas

2014 – 1.300 toneladas (previsão)

Fonte: Federação dos Pescadores de SC

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