Tendência é que spread caia, diz presidente do Itaú

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Apesar de a margem financeira do Itaú com clientes ter aumentado no segundo trimestre, o presidente do maior banco privado do país, Candido Bracher, diz ver como tendência geral a queda nos spreads (diferença entre o custo de captação do dinheiro pelo banco e a taxa cobrada do consumidor).

Segundo o executivo, o crédito deve ficar mais barato com melhores condições e iniciativas como o cadastro positivo, o que geraria competição no sistema.

O spread do Itaú nas operações no Brasil subiu 0,2 ponto percentual no segundo semestre, para 12,2%, impulsionado por uma maior variedade de produtos e também mais dias úteis no período. A margem com o mercado, por outro lado, recuou de 1,3% para 0,9%.

“O principal fator para o crescimento da margem com clientes tem sido a mudança no mix de produtos. Para o spread como um todo vejo tendência de queda, mas continuaremos vendo crescimento na margem a partir do aumento da carteira e da mudança no mix”, afirmou Bracher em teleconferência com analistas nesta terça-feira (31).

A carteira de crédito total do Itaú registrou R$ 623,3 bilhões no final de junho, um crescimento de 3,7% ante os três meses imediatamente anteriores e de 6,1% em relação ao segundo trimestre de 2017.

A inadimplência acima de 90 dias no Brasil fechou junho em 3,4%, ante 3,7% no trimestre anterior. Houve recuou tanto para a pessoa física (de 4,6% para 4,5%) quanto para a pessoa jurídica. No segmento de micro, pequenas e médias empresas, a queda foi expressiva, de 4,3% para 3,7%. 

Mesmo com o alívio na inadimplência, o banco registrou aumento de 3,9% nas provisões para devedores duvidosos (PDD), de R$ 4,1 bilhões no primeiro trimestre para R$ 4,3 bilhões.

“O aumento está relacionado com o crescimento da carteira de varejo, a revisão do limite pré-aprovado em cartão de crédito para clientes e a variação cambial”, disse Bracher, acrescentando que a melhora na inadimplência tem limites.

Ele ressaltou ainda que a melhora no desempenho das empresas pode levar a revisões na PDD. “Acompanhamos a evolução dessas empresas para ver se reestruturam seus passivos”, afirmou.

O maior banco privado do país informou nesta segunda-feira (30) que teve lucro líquido recorrente de R$ 6,38 bilhões no segundo trimestre, alta de 3,5% ante igual período de 2017, mas recuo de 0,6% na medição sequencial. 

“O lucro nominal foi inferior, por outro lado, olhando os resultados, vemos tendências sólidas que nos deixam confortáveis. Vemos crescimento de carteira, de receitas com tarifas e serviços, melhora nos índices de inadimplência e margem com cliente crescendo de forma saudável e sustentável”, completou Bracher.

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