Terceira etapa de testes aleatórios começam na segunda em Criciúma

Atualizado

A Secretaria de Saúde de Criciúma inicia, nesta segunda-feira (25), a terceira etapa de aplicação de testes aleatórios da Covid-19. Esta fase seguirá os mesmos procedimentos das duas etapas anteriores, aplicando também 500 testes aleatórios nos bairros da cidade.

Desta vez, entretanto, serão aplicados testes que também identificam o desenvolvimento de anticorpos por parte da população após o contágio, explica Andréa Goulart de Oliveira, bioquímica responsável técnica e coordenadora do Laboratório Municipal de Criciúma.

Pesquisa realiza testes aleatório de Covid-19 no município, através de coletas de sangue – Foto: Prefeitura de Criciúma/Divulgação/ND

Conforme Goulart, o novo teste, além de identificar a infecção por Covid-19, também denunciará a presença de dois anticorpos distintos: o IgM e o IgG. O primeiro é desenvolvido pelo organismo quando a pessoa está contaminada com o vírus. Já o IgG, é produzido quando a pessoa foi curada da infecção.

“Caso fossem outros vírus, a presença do IgG indicaria imunidade. Mas ainda é muito cedo para falar que as pessoas estão desenvolvendo imunidade ao Covid-19 após infecção”, explica a bioquímica. “Eu acredito que sim, que as pessoas desenvolvem imunidade para uma mutação específica”, complementa.

Os resultados vão auxiliar as equipes de saúde de Criciúma a entender como a organismo dos moradores de Criciúma está respondendo à doença. “Nem todos desenvolvem o IgG, e às vezes alguns levam mais tempo”, diz Goulart. Os resultados devem sair no final do mês.

A pesquisa é feita junto à Unesc (Universidade do Extremo Sul Catarinense). Nas duas primeiras etapas, 18 profissionais da saúde aplicaram 1 mil testes rápidos, 500 em cada etapa, distribuídos pelas microrregiões do município: Centro, Próspera, Rio Maina, Pinheirinho, Quarta Linha e Santa Luzia.

Com liberação de atividades, contaminação no município subiu 6%

A primeira etapa foi cumprida entre os dias 20 a 24 de abril, já os testes da segunda etapa foram realizados entre os dias 5 a 11 de maio. A diferença de tempo ajudou Criciúma a compreender o impacto das seguidas liberações de atividades econômicas na difusão do vírus no município.

Na primeira etapa, das 500 pessoas que realizaram o teste rápido, 11 testaram positivo. Já na segunda bateria de testes, realizada 14 dias depois, o número saltou para 40 – os 2,2% de contaminados entre 500 pessoas, passaram a ser 8%.

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Com base nos resultados, o matemático e doutor em Ciências da Saúde da Unesc, Kristian Madeira realizar projeções para entender quanto moradores de Criciúma deveriam estar infectados.

“Esse número pode ser algo entre 4.525 e 4.942 casos distribuídos pelos bairros da cidade”, disse Madeira na ocasião da primeira etapa de testes. A estimativa subiu para 17 mil moradores infectados após a conclusão da segunda etapa.

“A gente imaginava essa evolução. Na primeira etapa tínhamos um isolamento mais severo. Já na segundo várias atividades econômicas tinham voltado a funcionar no município” destaca Goulart.

Covid-19 em Criciúma

O teste vem ajudando a Secretaria Municipal de Saúde a calibrar as ações de combate ao novo coronavírus. “Dá um indicador para sabermos que está com o vírus e quem precisa de atendimentos hospitalar grave” afirma Acélio Casagrande, Secretário de Saúde de Criciúma.

Até a sexta-feira (22), Criciúma registrava 318 casos de Covid-19. Destes, 161 moradores se recuperaram enquanto seis não resistiram. Ao todo, no momento, quatro moradores estão internado em UTI (Unidade de Terapia Intensiva) e 14 internados em leito de enfermaria.

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