Thiago Vieira, 16 anos, recruta o Facebook na luta contra a leucemia

Mais de 300 pessoas, a maioria delas completos estranhos para Thiago, foram até o Hemosc para ajudá-lo

Janine Turco/ND

Thiago sentiu a força da rede social: “Não imaginava que tivesse todo esse poder”

Deitado em um dos leitos da ala de Transplante de Medula Óssea do Cepon (Centro de Pesquisas Oncológicas), no Hospital Celso Ramos, Thiago Luiz Coelho Vieira, 16 anos, segura o computador nas mãos, sempre conectado ao Facebook. Desde que foi internado, dia 28 de março, com suspeita de leucemia, a rede social se tornou fundamental na vida do estudante. Não só por ser uma forma de distração, mas por ter ajudado a disseminar uma maneira de salvar a própria vida.

Thiago, estudante do 2º ano do ensino médio, conta que a semana em que descobriu que tinha a doença foi rotineira. Ele estava treinando para um torneio de Muay Thai e não percebeu o primeiro sintoma da leucemia: cansaço. “Eu estava treinando além do normal e não dei bola para o cansaço. Mas cerca de duas semanas depois de começar a treinar pesado, tive uma dor de garganta. Foi aí que descobri”, relatou. O estudante viu que tinham placas na garganta e machas de sangue. Procurou a tia, que é médica, e fez um exame de sangue. No dia seguinte, às 9h, saiu o resultado que apontou irregularidades, evidenciando a possibilidade de Thiago estar com leucemia.

“Às 15h, ficamos sabendo e fui trazido na hora para o Cepon. Os médicos achavam que era leucemia aguda, que se prolifera rápido demais. Fiz outros exames, que foram mandados para São Paulo, e comecei o tratamento com remédio. Se esperasse o resultado dos exames, que confirmaram a doença, poderia ser tarde demais”, explicou. No dia seguinte, amigos iniciaram uma campanha de doação de sangue para Thiago pelo Facebook. Com o sangue tomado pela doença, o adolescente precisava começar as transfusões de sangue, plaquetas e crio, um componente sanguíneo.

A mobilização tomou força na rede social em poucas horas. Em três dias, o Hemosc (Hemocentro de Santa Catarina) havia recolhido 100 doações de sangue voltadas para o garoto. Até o sábado, mais de 300 pessoas já tinham procurado o Hemocentro para doar. “A maioria eu nunca vi pessoalmente. Eu não imaginava que o Facebook tinha esse poder todo. A repercussão foi tão grande que recebi mais de 300 solicitações de amizade nesse tempo que estou no hospital”, afirmou.

Apoio pela rede social

As mensagens surgem diariamente no perfil de Thiago, com palavras de apoio, força e esperança. Os amigos mandam fotos, mostrando o momento da doação de sangue, e alguns deles, inclusive o pai dele, rasparam o cabelo para demonstrar que estão do lado do estudante. “Alguns amigos ficaram sabendo da doença pelo Facebook”, acrescentou.

Mas as mensagens não são só de familiares e amigos. Pessoas que nunca viram Thiago também mandam melhoras e garantem que vão doar. No colégio em que estuda, Escola da Ilha, a campanha se espalhou. Pelo Facebook, a notícia também chegou a outras instituições, como o Catarinense, Solução e Autonomia, com mobilização de sala em sala. “Eu nunca estudei nesses locais. Esperava esse apoio dos meus amigos, mas não imaginava que outras pessoas iriam fazer a doação”, disse.

Pelo retorno positivo, Thiago se sentiu à vontade para começar a contar as novidades sobre o tratamento. O dia a dia convivendo com a doença é relatado por meio da rede social. “As pessoas pediam para saber como eu estou, tinham também curiosidade para saber como era o tratamento, então comecei a postar”, afirmou.

Campanha continua

Thiago já fez quatro transfusões sanguíneas. Já recebeu também 20 bolsas de crio e 20 bolsas de plaqueta. Começou a quimioterapia na sexta-feira (30), fez quatro sessões, sendo que a última no hospital foi nessa sexta (6). O último exame, feito na sexta, mostra que houve melhora significativa do estado de saúde de Thiago. Agora, ele fica cerca de um mês no Celso Ramos, sem a quimioterapia, para recuperar a imunidade. O adolescente precisa das doações de sangue agora mais do que nunca para poder voltar para casa. “O facebook foi excelente, fundamental para meu tratamento. Antes era só para entretenimento, mas hoje, para mim, é uma ferramenta rápida e eficiente de comunicação. Vou continuar a campanha”, garantiu.

A irmã de Thiago, Gabriela Coelho Vieira, 23, acompanha a evolução dele e afirmou está otimista e muito feliz com a melhora. Segundo ela, descobrir que Thiago estava com a doença foi desastroso. “É triste ver meu irmão mais novo assim. Mas ele disse que ia lutar e se manteve firme e equilibrado psicologicamente todo esse tempo. A força e apoio psicológico que as pessoas no Facebook estão dando ajuda muito. Antes era uma campanha para doação de sangue, ajuda física, mas se transformou em algo além disso”, completou.

Amiga vence o medo e doa sangue

Rachel Abrão, 17, conhece Thiago há um ano e ficou muito amiga dele em pouco tempo. Os dois estudam no mesmo colégio, na mesma sala, e convivem diariamente. Foi por isso que ela sentiu falta dele quando não foi para aula com dores na garganta. “Liguei para ele, pra ver como estava, e ele me contou que estava internado, com leucemia. No começo não acreditei, achei que ele estivesse brincando. Era apenas uma dor de garganta, nunca imaginei que seria isso”, relatou. Rachel, com sangue B positivo, não pensou duas vezes e foi doar para o amigo, mesmo tendo muito medo de agulha. “Eu achei que era complicado, sempre quis doar. Quando soube que ele precisava, isso me motivou. Apesar de morrer de medo foi algo tão simples e que ajuda tanto, até a salvar uma vida. Vou doar outras vezes”, disse ela, que, inclusive, publicou uma foto da hora da doação no facebook de Thiago

Sobre leucemia

A leucemia tem como causa a reprodução desordenada de glóbulos brancos, responsáveis pela defesa do organismo, imperfeitos dentro da medula óssea. Os elementos defeituosos ocupam espaço demais e impedem a produção de outros compostos como os glóbulos vermelhos, responsáveis por distribuir o oxigênio dos pulmões para todo o corpo; e as plaquetas, que cuidam da coagulação do sangue.

O Inca (Instituto Nacional do Câncer) estima que, em 2012, sejam registrados 8.510 novos casos da doença, sendo 4.570 homens e 3.940 mulheres. Em 2009, 3.126 homens e 2.654 mulheres morreram por causa da leucemia. Com um tratamento adequado e precoce, o paciente possui grandes chances de superar a doença e voltar a ter uma vida normal. A transfusão de sangue é uma das etapas do tratamento.

Como doar

Thiago precisa de doação de qualquer tipo sanguíneo, por ter sangue AB, receptor universal. Porém, para o crio, substância fundamental na sua recuperação, ele precisa de doação apenas de pessoas com o mesmo sangue: AB positivo ou negativo. Quem quiser ajudar pode procurar o Hemosc, na avenida Othon Gama D’Eça, número 756, e pedir para doar para o Thiago. Para seguir o estudante no facebook é só adicioná-lo pelo link https://www.facebook.com/profile.php?id=100000019470555

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